15/07/16
11/07/16
10/07/16
Hoje apetece-me ouvir: Carl Orff
Carl Orff - 10/7/1895 - 29/3/1982
Carmina Burana - 18. Circa Mea Pectora
Circa mea pectora
multa sunt suspiria
de tua pulchritudine,
quae me laedunt misere.
Manda liet, manda liet,
min geselle
chumet niet.
Tui lucent oculi
sicut solis radii,
sicut splendor fulguris
lucem donat tenebris.
Manda liet, manda liet,
min geselle
chumet niet.
Vellet Deus,
vellent dii,
quod mente proposui,
ut eius virginea
reserassem vincula.
Manda liet,
manda liet,
min geselle
chumet niet.
In my heart there are many sighs for your beauty which torture me miserably.
Send a message, send a message, my beloved does not come.
Your eyes shine like the rays of the sun, like a flash of lightning which gives light to darkness.
Send a message, send a message, my beloved does not come.
May God grant, may the gods grant, what I have set myself to do, and that is, to unlock the bonds of her virginity.
Send a message, send a message, my beloved does not come.
(Daqui)
07/07/16
30/06/16
Foi por ela
Foi por ela - Fausto
O resultado do referendo na Grã-Bertanha "disse" que a maioria dos cidadãos britânicos decidiram sair da União Europeia. Dito de outro modo, este resultado mostrou, de facto, que a maioria dos britânicos não está interessada num futuro comum. Mais uma vez se prova que a falar nos desentendemos e voltamos aos tempos de Yalta e à primazia dos interesses, como se dizia aqui.
Seja qual a for a opinião que cada um tem sobre este acontecimento, uma coisa é certa, como escreve António Barreto:
"Não há quem possa compensar o que desaparece. Ninguém, nenhum país poderá preencher o vazio agora criado. O que a União europeia perdeu, de facto, não tem substituição. Perdeu uma das nações mais antigas e influentes do mundo e da história. Talvez o povo com o maior apego à liberdade que se possa imaginar. A mais antiga e experiente democracia do mundo. O único país que não conheceu, nos últimos séculos, a ditadura. A mais consolidada tradição de autonomia individual perante o Estado…"
Como referimos, Dorothy Tennov propõe três etapas para construção do futuro comum: a fusão, a construção do ninho, a negociação das margens respectivas de liberdade e intimidade individual.
Como acontece no amor, parece-me que também as sociedades que querem construir um futuro comum vão encontrando maiores dificuldades nas etapas dessa construção. Certamente, a negociação das margens de liberdade será sempre difícil de concretizar à vontade de cada um. Mas esse é o caminho do amor.
Inicialmente, parecia uma coisa natural. Para quem viajava pela Europa ou ia apenas ali a Espanha. Fazia sentido que houvesse comunicações, liberdade de circulação, relações comerciais comuns, até uma moeda comum.
Nesta fase de fusão não nos demos conta de que o processo era pouco democrático, mas era preciso entrar e assim foi, com pompa e circunstância, como nas grandes cerimónias. Lá estão as placas comemorativas na calçada em frente aos Jerónimos, em Lisboa.
Foi por ela, uma canção de Fausto, exprime bem esta fase da fusão.
“Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Madrid, Paris, Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela
Esta fase, a fusão, fica bem expressa nos últimos versos:
“foi por ela que eu deixei de ser quem era
sem saber o que me espera foi por ela”
Pouco importava o desconhecido que, em todo o caso, parecia um mar de rosas. Na segunda fase, a construção do ninho, "devem assumir-se novos compromissos para garantir infraestruturas adequadas à vida em comum e se e necessário muda-se de local de trabalho, de lugar geográfico. O amor expressa-se menos com beijos e carícias e mais com cuidados, trabalho e contratos que cimentam uma plataforma comum sustentável." (E. Punset)
Os erros cometidos nesta fase têm consequências a longo prazo e foram talvez esses erros que fizeram com que seja tão difícil estabelecer os limites da terceira fase: a delimitação negociada dos campos respectivos de liberdade.
Depressa nos esquecemos o que de bom se fez nos países após a adesão à União Europeia, os aspectos negativos tem sempre outro impacto . E são esses que sobressaem.
É nessa perspectiva que estamos.
Mas mesmo com todos os defeitos desta União Europeia, este é um dos melhores sítios para se poder viver com dignidade, liberdade, democracia e justiça.
Mas mesmo com todos os defeitos desta União Europeia, este é um dos melhores sítios para se poder viver com dignidade, liberdade, democracia e justiça.
Estamos quase a ir de férias esperemos que tudo fique mais claro com o repouso que merecemos. Boas férias.
24/06/16
Yalta em alta: linguagem e emoções

Costumamos dizer que é a falar que a gente se entende. No entanto, o que acontece é, exactamente, o contrário: a linguagem serve para nos confundirmos. A linguagem é muitas vezes perversa no sentido de que corrompe, desmoraliza, deprava, ou seja, tira proveito do outro, manipulando-o, desmoralizando-o. Os perversos não torturam necessariamente as suas vítimas de forma física, mas subjugam-nas à sua visão de mundo. Cometem abusos de poder, coerção moral, chantagens e extorsões com muita facilidade.
Uma das circunstâncias em que esta linguagem é mais usada é nos encontros entre países para encontrarem a paz e acabam fazendo a guerra.
A conferência de Yalta, em 1945, foi um diálogo de surdos que, no entanto mudou o mundo, de acordo com as vantagens que cada país procurava tirar ou manter em relação aos outros. No fundo o que importava era defender os próprios interesses.
Foi assim que surgiu a guerra fria, o muro de Berlim e a corrida aos armamentos. Caiu o muro, porém a corrida armamentista mantém-se em alta.
O que se passa na Síria é bem a prova do que se passa nesse campo. Os vários países que aí intervêm para acabar com a guerra nem sequer são capazes de se entenderem quanto à questão essencial de pôr termo a esta catástrofe humanitária, a maior a seguir à segunda guerra mundial. Cada um procura defender os seus interesses.
O que se passa na Síria é bem a prova do que se passa nesse campo. Os vários países que aí intervêm para acabar com a guerra nem sequer são capazes de se entenderem quanto à questão essencial de pôr termo a esta catástrofe humanitária, a maior a seguir à segunda guerra mundial. Cada um procura defender os seus interesses.
Aliás, nas Nações Unidas e Conselho de Segurança, é difícil chegar a qualquer compromisso, por haver um real diálogo de surdos. Então, a linguagem não serve para as pessoas se entenderem
Na vida quotidiana parece haver dificuldade em estabelecer um compromisso e isso é tanto mais evidente quanto a sociedade de consumo oferece novidades. O problema está na capacidade de atração da novidade. É estranho o que fazemos por um novo telemóvel, por uma tv último modelo...
A incessante novidade obriga-nos, constantemente, a alterar a ordem de prioridades da nossa vida.
A dificuldade está em fazer algum sacrifício, actualmente, para ter uma vida melhor no futuro.
E sabemos quais foram e são as consequências da opção pela escolha permanente da novidade: o endividamento das famílias e das empresas junto dos bancos, dos bancos junto de outros bancos, o crédito malparado, as bolhas imobiliárias, a corrupção...
A nível social e familiar a incapacidade para estabelecer compromissos mais ou menos duráveis mostra a perversidade da linguagem. A linguagem é traiçoeira. Seja escrito ou oral, o compromisso não tem qualquer validade passados uns momentos, umas horas, uns dias.
O que se passa com as famílias é a dificuldade em estabelecer prioridades face à forte atracção da novidade.
Estudos (Gottman) mostram que para um casamento durar, a relação entre as emoções positivas e negativas num dado encontro tem de ser pelo menos de 5 para 1. As emoções negativas mais significativas são: postura defensiva, reserva, censura e desprezo.
O desprezo é o contrário do amor. Quando ele domina a relação de casal significa que a relação chegou ao fim.
O que faz falta ao nosso mundo e à nossa vida são competências sociais e emocionais que relevam o amor e preterem o desprezo. *
___________________
Texto inspirado no cap. 8, "Construir un futuro común" de El viaje al amor, de Eduardo Punset.
O resultado do referendo na GB sobre sair/ficar na União Europeia mostrou, de facto, que a maioria não está interessada num futuro comum.
Mais uma vez se prova que a falar nos desentendemos e voltamos aos tempos de Yalta e à primazia dos interesses.
Dorothy Tennov, citada por EP, propõe três etapas para construção do futuro comum: a fusão, a construção do ninho, a negociação das margens respectivas de liberdade e intimidade individual.
Como acontece no amor, parece-me que também as sociedades que querem construir um futuro comum vão encontrando maiores dificuldades nas etapas dessa construção. Certamente, a negociação das margens de liberdade será sempre difícil de concretizar à vontade de cada um. Mas esse é o caminho do amor.
21/06/16
19/06/16
Saut du Lapin
Amadeo de Souza-Cardoso, Saut du Lapin (Salto do coelho), 1911, óleo sobre tela
Noticia o Expresso que "O Presidente ficou surpreendido, não esperava o gesto, mas Costa pediu-lhe para abrir: dentro do envelope, um postal com uma réplica do célebre quadro de Souza-Cardoso “O Salto do Coelho”. “Há uns que saltam, outros não”, comentou Costa, segundo relatou ao Expresso um dos presentes. E o Presidente, por uma vez, ficou sem resposta: “Isto não posso comentar, não vou falar”, disse apenas, perante a gargalhada das comitivas."
Mas comento eu. A pilhéria "uns saltam outros não" mostra o nível de cultura da política que se pratica por quem acha que não vai saltar mais tarde ou mais cedo ? Talvez. Mas mostra certamente outra coisa: o fantasma de quem ganha as eleições omnipresente e reprimido. É difícil resistir. "Deve-se também ter em conta o singular e quase fascinador encanto que o chiste possui na nossa sociedade". (Freud, O chiste e a sua relação com o inconsciente)
Sobre este salto, por mim, fico com o comentário de "sumptuoso" de Siza Vieira, como aqui se refere: "Sumptuoso", disse Álvaro Siza Vieira à saída do Grand Palais onde foi ver, ainda em final de montagem, a exposição de Amadeo de Souza-Cardoso. (Ana Sousa Dias, DN, 19 Abril 2016)
17/06/16
Feridas psicológicas do terrorismo
Continuamos a assistir, via comunicação social, a actos de violência terrorista. Nos últimos dias: Um jovem mata casal de polícias em Paris; Em Orlando, nos EEUU, um homem matou 50 pessoas e feriu 53; quase diariamente são feitas ameaças de que outros actos terroristas se seguirão…
Esta violência cria vítimas directas: os mortos e os feridos fisicamente e todas as que ficam com feridas psicológicas para muito tempo. Entre as vítimas indirectas estão os familiares das vítimas e dos sobreviventes, os técnicos que desenvolvem a sua intervenção durante este tipo de crises, assim como os que assistem através da comunicação social a estes actos de violência que geram incerteza e medo em cada um de nós. Ficamos a interrogar-nos onde devemos estar, tomar um café, passear, fazer compras, passar as férias…
Além disso, provocam desajustamentos emocionais, stress pós-traumático, episódios de pânico, depressão e todas as consequências de saúde e sociais que resultam destas perturbações psicológicas.
A seguir ao 11 de Setembro em vários estudos verificou-se que havia um aumento de dores de cabeça, aborto, mudanças no cérebro, problemas pulmonares, aumento do medo em geral...
Verificou-se que o cérebro, mais especificamente a amígdala, se torna mais sensível ao medo, inclusive o de pessoas saudáveis que viviam a grande distância do local do ataque.
Interrogamo-nos sobre que espécie de gente é esta que é capaz de cometer assassinatos de forma indiscriminada, atacando pessoas totalmente inocentes. O medo também resulta de não sabermos quem pode ser esse terrorista que mora na nossa rua, é nosso vizinho e frequenta a mesma escola dos nossos filhos.
Apesar de não conhecermos um perfil de terrorista suicida sabemos já alguma coisa: A sua personalidade apresenta algumas características: introvertida, tímida e com baixa autoestima, facilmente seduzido e manipulável por “doutrinadores” que os sujeitam a técnicas de condicionamento e de “lavagem cerebral” onde as acções mais depravadas e brutais são justificadas por determinadas causas com argumentos irracionais ou ilógicos.
Por outro lado, há sinais comportamentais que se tornam, a posteriori, mais precisos, Vejamos o que a ex mulher do terrorista de Atlanta e um ex-colega de trabalho dizem:
Descreve o ex-marido como “profundamente perturbado e traumatizado”. Alguém que facilmente perdia o controlo e tinha um passado de consumo de esteroides: "Envolvia-se em conflitos e discussões frequentes com os pais, mas a maior parte da violência era dirigida a mim, eu era a única pessoa na vida dele”.
Um ex-colega de trabalho, revelou ao New York Times que chegou a queixar-se de Omar à empresa: “Ele falava constantemente em matar pessoas”, afirmou. “Ele estava sempre zangado, a suar, zangado com o mundo.”
Esta é a realidade dos começos do sec. XXI. Devemos estar atentos e ao mesmo tempo continuar a fazer a nossa vida sem que o medo tome conta dela.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






