03/02/16

Perdoar

Foi noticiado que um individuo de quarenta anos, começou a ser julgado nesta segunda-feira por violar, assassinar e atirar o corpo de uma idosa para o interior de um caixote do lixo público. 
Todos os crimes são horríveis. No entanto, poderíamos pensar que os seres humanos não seriam capazes de ultrapassar os limites da vida humana, com a agravante de as vítimas serem pessoas mais frágeis, como é o caso de crianças e idosos. Na realidade o ser humano, por ser humano, é capaz de cometer esses crimes quer agindo individualmente quer em grupo. 
Por outro lado, na mesma notícia confrontamo-nos, nesta situação e em muitas outras, com comportamentos verbalmente violentos dos que querem vingar a vítima.
Compreende-se a indignação  e o desejo de vingança dos familiares das vítimas e da opinião pública que, em geral, tem o sentimento de que não se faz justiça. Ficamos incomodados, em particular, nos casos de homicídio, quer porque as penas são demasiado leves, quer porque os criminosos muitas vezes têm antecedentes e continuam com padrões de comportamentos violentos, não se arrependem, não pedem desculpa, não fazem a restituição e reparação do que ainda pode ser reparado…
Tudo isso deve ser analisado, mas, na realidade, o que nos acontece é que nos fixamos “nas recordações negativas, em pensamentos negativos, frequentes e intensos sobre o passado … e estes pensamentos tornam impossível a serenidade e a paz. “ (Seligman, Felicidade autêntica, p.104)
Muitas pessoas agarram-se aos pensamentos amargos sobre o passado e isso pode levar ao caminho de vingança, de retaliação, do olho por olho… 
No entanto, o perdão tem vantagens positivas ao transformar a amargura em neutralidade e até em recordações de satisfação com a vida.

O fraco jamais perdoa: o perdão é uma das características do forte.... Frase de Mahatma Gandhi.É possível aprendermos a perdoar. 
O psicólogo Everett Worthington recebeu um telefonema do irmão a informar que a mãe tinha sido assassinada. A sua mãe já idosa fora espancada até à morte com uma barra de ferro e um bastão de basebol. Não vou referir mais pormenores. 
Após o assassinato de sua mãe, interessou-se pelo estudo da relação entre o perdão e outras virtudes, tais como justiça, misericórdia, humildade e auto-controle.
Para Everett, o "perdão emocional" substitui as emoções negativas por sentimentos positivos como a compaixão e empatia. O perdão emocional também nos impede de ruminar sobre o mal que nos foi feito, ruminação que pode ser prejudicial e desenvolver problemas de saúde mental, incluindo perturbação obsessivo-compulsiva, ansiedade e depressão. 
Everett desenvolveu um programa de cinco etapas chamado REACH que são as iniciais de recordação, empatia, altruísmo , comprometer-se e sustentar o perdão:
- recordar a dor que nos foi causada da forma mais objectiva possível;
- tentar compreender o ponto de vista do criminoso e porque é que essa pessoa nos magoou;
- pensar sobre alguma vez em que tenhamos sido perdoados por algo que fizemos errado;
 -comprometer-se consigo próprio e perdoar publicamente;
- perdoar não significa apagar a dor, mas lembrar-se de que fizemos a escolha de perdoar.

Perdoar é um processo psicológico difícil de conseguir mas, tal como foi testado neste programa, tem resultados positivos para a nossa vida, a nível físico e psicológico.
Perdoar, como dizia Gandhi, é característica dos fortes.

31/01/16

Equinácea

Echinacea purpurea Maxima.

Uma estuporada tosse tem-me marcado este Inverno e a muita gente. Comprimidos, xaropes, pastilhas, chás, infusões, expectorantes, antitússicos...   e farto disso tudo.
Parece que a equinácea me dá alguma esperança !
Atenção às contraindicações


Ver e ouvir: Olcay Bayir

Olcay Bayır - Durme, Durme
Oud por Nizar Rohana

Já não está disponível. Talvez aqui.

 

"O trabalho de Olkay Bayir incorpora elementos do folk, jazz e neo-clássico, com um trabalho vocal evocativo de ambientes orientais através de composições originais e arranjos de canções folclóricas do Mediterrâneo e Anatólia. A sua mestria vocal e capacidade de transmitir emoções, transporta-nos para uma leitura intensa da fusão entre música do sul da Europa e do Médio Oriente."

Ontem, fui ver e ouvir Olcay Bayir e gostei. Das letras das canções não percebi uma palavra, quando muito entendia o contexto pela explicação dada. A música correspondeu ao que estava escrito: emoções, uma pacificação interior, necessária, fluindo de sons que mostram o nosso lado de bondade, do que de melhor há em nós.
Como em qualquer cultura a liberdade é fundamental. O rouxinol não precisa de uma gaiola dourada, precisa de ser livre para cantar o amor.  




"Durme, Durme" é uma canção de embalar de que existem outras versões  como aqui:

Durme, durme, querido hijico / Sleep, sleep beloved son
durme sin ansia y dolor / sleep with no fretting
cerra tus chicos ojicos / close your tiny eyes
durme, durme con savor. / sleep, sleep restfully.
Cerra tus lindos ojicos / Close your beautiful eyes
durme, durme con savor. / sleep, sleep restfully.

De la cuna salirás / Out of the crib
a la escola tu entrarás / to enter school
y alli mi querido hijico / and there, my beloved son
a meldar te ambezarás. / you'll begin to read.

De la escola salirás / Out of school 
a las pachas te irás / to go to the pashas
a y tu mi querido hijico / and you my beloved son
al empiego entrarás. / to work you'll go.

29/01/16

Hoje apetece-me ouvir: Sarah McKenzie


Sarah McKenzie - You'd Be So Nice To Come Home To


"Uma lição de vida... 
"Nada neste mundo substitui a persistên­cia. O talento não a substitui; não há nada mais usual do que homens talentosos e mal sucedidos.O génio não a substitui; a genialidade sem reconhecimento é quase um provérbio. A educação não a substitui; o mundo está repleto de marginais educados. A persistência e a determinação são, por si só, omnipotentes." Calvin Coolidge
...
Na sua música That's it, I quit! fala de um amor que a faz desistir. De que é que nunca seria capaz de abdicar? 
Chocolate Negro Lindt 70 %!"
(Questionário Smooth Epicur, EPICUR, Inverno, 2015, p. 102)

Eu também não!

27/01/16

Ser avó

1. Parece que foi ela, a avó, que esteve grávida e deu à luz. Simplicidade e emoções genuínas perpassam pelas diversas situações relacionais com os netos, pela fragilidade dos netos acabados de nascer ou pela própria fragilidade em querer cuidar deles o melhor que sabe.
São momentos de puro encantamento em que as brincadeiras e parvoíces da avó parecem destrambelhar a postura do quotidiano mais ou menos circunspecto da sua profissão.
Será que as avós podem usar qualquer roupa ou "um par de ténis" (p.15) sem estarem a concorrer com as mães?
2. As avós, como já foram mães, podem achar que já sabem tudo sobre os filhos ou sabem mais do que as mães, mas não, as avós não nascem ensinadas para o seu papel de avós, "este papel difícil que exige autocontrole e diplomacia que nos permite estar próximo, mas nos obriga a guardar distância, a medir o envolvimento e o sentido de posse, para não magoarmos, nem nos deixarmos magoar…” 
3. As avós têm uma metodologia, vêem os netos como se estivessem no 1º balcão do teatro. Cada capítulo do desenvolvimento dos netos é como se fosse uma ficha de observação. Descritiva, muito impressiva, mais ou menos independente, devido à proximidade relacional, e documentada com as evidências (fotos) que mostra no telemóvel.
4. As avós dão importância às pequenas grandes coisas do desenvolvimento: A importância de uma bolacha que faz milagres face a uma birra;  A importância de dizer não pela primeira vez, que será o começo de muitas outras, torna-se no momento inicial da educação “quando por faro pressentimos que um não é fundamental, e instintivamente o dizemos, sem agressividade, nem raiva, estabelecendo uma regra ou um limite.” (p. 49)
5. Fica particularmente sensibilizada, com a lágrima ao canto do olho, quando ouve dizer pela primeira vez: “vovó”.
6. A avó aprende a lidar com a censura social, as chamadas "bocas" sobre o bebé. Quando os outros tem tendência a fazer comparações por tudo e por nada: “porque ainda usa chucha”, “porque não quer brincar com os outros”, porque ainda não fala muito, “porque é envergonhada”... (p.91), não lhes dá qualquer importância porque sabe que as crianças são diferentes em tudo, mesmo quando se trata de gémeos idênticos.
7. O avô, faz parte desta sociedade de relação e observação. Como o fotógrafo, que geralmente não fica nas fotografias, está presente, talvez mais discreto e menos interventivo, para isso já chega a avó, e aprecia extasiado e incrédulo aquela relação única da avó e do neto nas coisas mais simples e extraordinárias do dia a dia.
8. Os avós não fazem o papel de pais mas são os “anjos-da-guarda delegados.”(p. 89)
9. Os avós ligam, inscrevem, na genealogia, as gerações e os vários elementos da família extensa; " … enquanto pais, os laços que nos ligam aos filhos e, enquanto filhos, os laços que nos ligam aos pais tornam possível que uns e outros estejam absolutamente seguros do amor incondicional que os une. Essa segurança permite que tanto os adultos como as crianças sejam mais eles próprios quando estão uns com os outros.” (p. 64)
10. “Ser avó é uma bênção dos Céus.” (p. 91)

15/01/16

Não se pode acreditar no que diz o sr. ministro da educação

Como disse aqui  a escola não é apenas selectiva e a nota não é tudo. A escola é (só pode ser) inclusiva, e muitos de nós, professores e técnicos (psicólogos, terapeutas...) bateram-se pela inclusão durante toda a vida profissional. A escola deve ser capaz de criar e aplicar respostas educativas para todos os alunos, tenham as características que tiverem. E muitos profissionais têm procurado contribuir para essas respostas.
A escola tem o dever de dar oportunidades a todos os alunos para desenvolverem ao máximo as suas capacidades e é isso que está pressuposto na diferenciação curricular. No entanto, nem todos aproveitam essas oportunidades da mesma maneira e a motivação, factor fundamental para querer estudar, não é a mesma para todos os alunos.
Há aspectos psicológicos e sociais diferentes implicados nas aprendizagens dos alunos que podem levar quer ao desinteresse quer à mais profunda motivação intrínseca.   
Foi a escola que deu a alunos pobres a possibilidade de terem um futuro de sucesso, como empresários, técnicos com prestígio, profissionais competentes e bem remunerados. Foi a escola que deu cultura a quem pouca possuía, foi a escola que fez a diferença. Então se fez a diferença é porque ela é selectiva. Se não faz diferença nenhuma para que serve a escola ?
Mas a escola tem que ser vista como selectiva de uma forma positiva. Ela é a grande instituição que hoje existe que distingue e diferencia, numa sociedade, entre ter cidadãos cultos, competentes, responsáveis e com ética ou não.
A escola vai fazendo essa selecção positiva, começando logo na primeira selecção que é ler, escrever e contar. A aquisição destas competências são a primeira diferenciação. A escola também é selectiva em relação às competências emocionais. Há quem adquira essas competências e também há quem não as apreenda. O mesmo se passa também a nível da criatividade, da capacidade de iniciativa e de empreendimento.
Há que deixar falar o poder, hipócrita, que põe os filhos nas melhores escolas públicas ou privadas, em escolas no estrangeiro... e depois vem-nos dizer que a nota não interessa nada.
As pessoas que querem o melhor para os seus filhos e para os seus familiares sabem bem o que lhes devem dizer: que o trabalho e o esforço compensam, para terem as melhores notas que puderem, que focalizem a sua actividade escolar de forma a poderem vir a frequentar o curso superior que quiserem, a poderem escolher a profissão mais ajustada às suas capacidades e aos seus interesses.
A essas pessoas digo que a nota, a classificação, conta e conta muito, seja quantitativa ou qualitativa, que se devem esforçar por serem os melhores em  tudo, nas disciplinas de português, matemática, artes, desporto, que a conversa do sr. ministro é apenas para os filhos dos outros que ele pensa que andam distraídos.
Esta visão da avaliação é democrática, anticlassista, como aliás, a escola é, e deve ser em todas as suas vertentes. É a visão de uma pedagogia coerente e honesta, exactamente  contrária àquilo que nos querem fazer crer os facilitistas e passadistas de sempre que nos mostram apenas a arrogância do que chamam progresso, de quem não aceita esse grande poder transformador da escola: elevar as capacidades de cada um de nós à excelência comportamental e profissional  de cidadãos reconhecidos (avaliados) pelos seus e pelas instituições.

13/01/16

"Perpetuum mobile" - O modelo certo

Ficámos a saber qual é o modelo de avaliação correcto e de "escola inclusiva e integradora" para o sr. ministro da educação e
A escola não deve ter apenas a cultura da nota, a cultura do treino, a cultura da selecção! Mas, obviamente, também não deve ter a cultura do facilitismo, da falta de esforço e da mediocridade.
O insucesso escolar, e uma das suas piores consequências, o abandono escolar precoce, tem sido um problema difícil de atenuar ao longo da vigência de vários ministérios. Tem que se reconhecer a preocupação de várias equipas ministeriais  interessadas numa escola para todos e na melhoria da qualidade dos resultados.
Não seria justo nem racional imaginar que poderia haver dirigentes que quisessem prejudicar os alunos com as medidas educativas que tomam, a ponto se ser necessária "a reparação de danos". Creio que, apesar de tudo, uns mais do que outros, se têm esforçado por atenuar os efeitos perniciosos do insucesso escolar, não só entre nós mas nos outros países que se defrontam com problemas semelhantes, independentemente, de terem governos de sensibilidades políticas muito diferentes.

Tem havido a procura de respostas para estes alunos e algumas das alterações introduzidas no sistema educativo vão nesse sentido. Os PCA (Percurso de Currículo Alternativo), os CEF (Cursos de Educação e Formação) foram respostas desse tipo. Os cursos vocacionais foram outra medida educativa organizada de forma mais sistemática para dar resposta a estes alunos.
Acompanhei, trabalhei, fiz parte da selecção de alunos e fui professor de cursos de educação e formação.
Alguns alunos conseguiram concluir o 9º ano através destes cursos, de forma muito positiva, que pelo currículo geral não o teriam conseguido.
Foi com o sentido de estarem no caminho certo, motivados, que vi alguns alunos concluírem mais tarde os seus cursos profissionais e fui convidado para algumas sessões de apresentação das provas de avaliação finais (PAF)/provas de aptidão profissional (PAP). Alguns encontraram o seu caminho escolar e o seu percurso na vida.

Não passa de uma falácia chamar “pedagogia classista” à preocupação com a educação e o sucesso dos alunos.
Não, lamentavelmente, o sr. ministro não descobriu o modelo certo!

12/01/16

Contos de fadas

338º Aniversário de Charles Perrault

338º Aniversário de Charles Perrault

Doodle Charles Perrault (Foto: Reprodução/Google)
Doodles sobre Charles Perrault (12/1/1628 – 16-5-1703), por  Sophie Diao

Perrault estabeleceu as bases de um novo género literário, o conto de fadas, além de ter sido o primeiro a dar acabamento literário a esse tipo de literatura, o que lhe conferiu o título de "Pai da Literatura Infantil".
...
Já idoso, resolveu registar as histórias que ouvia a sua mãe nos salões parisienses. O livro, publicado em 11 de Janeiro de 1697, quando contava quase 75 anos, recebeu o nome de Histórias ou contos do tempo passado com moralidades, mas também era chamado de "Contos da Velha" e "Contos da Cegonha", ficando, afinal, conhecido como "Contos da mãe gansa". (wikipedia)

Charles Perrault celebraria esta terça-feira 388 anos.