21/11/15
17/11/15
"Les fleurs et les bougies, c'est pour nous protéger"
Como explicar às crianças a guerra, o terrorismo, a morte? Como explicar às crianças aquilo que nem os adultos compreendem muito bem? As notícias sobre os assassinatos de Paris inundam os media e as pessoas dificilmente as podem esquecer. Interrogamo-nos sobre o que leva estes radicais a cometer estes crimes, e sobre o que está a acontecer na nossa sociedade, no nosso mundo.
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| Estátua da liberdade - Paris |
Mais tarde ou mais cedo vão acabar por surgir perguntas feitas pelas crianças.
Os diálogos com as crianças devem ter em conta a idade e o seu desenvolvimento cognitivo, social e moral. Obviamente que a comunicação deve ser ajustada a esse desenvolvimento.
Há que ter em conta que as crianças por aprendizagem e por modelagem aprendem as emoções dos pais, a ansiedade dos pais e elas próprias acabam por ficar ansiosas se sentirem ansiedade à sua volta.
Como em outra situação qualquer, a criança vai ficar com medo se nós, através da nossa comunicação, lhes incutirmos esse medo, seja ele qual for: da guerra, do terror, ou de coisas do quotidiano: o medo da escola, dos exames…
Face a tantas notícias, os nossos comentários em família ou com outras pessoas estão carregados emocionalmente, tal como acontece com as conversas dos amigos ou dos colegas na escola, por isso elas estão despertas para aquilo que se passa à sua volta, principalmente quando atinge este tipo de gravidade.
Deve-se deixar que as crianças falem das suas dúvidas e interrogações, deve-se deixar que as crianças exprimam o que sentem sobre a sua ansiedade, o seu sofrimento ou o sofrimento dos outros através de várias formas de expressão como o desenho e a pintura…
Não adianta explicar pormenores sobre o que aconteceu. A criança, geralmente, fica satisfeita com a resposta que lhe dermos.
Não vale a pena usar palavras difíceis, termos complicados ou com muitos números, mesmo que a criança já esteja no período operatório.
Tal como nós, a criança precisa de se sentir segura, tem de perceber que alguém lhe dá segurança e amor e este é o melhor remédio para não ficar ansiosa.
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| "Les fleurs et les bougies, c'est pour nous protéger" |
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Como falar sobre terrorismo com as crianças? Veja dicas; Attentats de Paris : les bons mots pour expliquer aux enfants; Como explicar às crianças os atentados; Pessoas boas e pessoas más? Como explicar às crianças o que aconteceu em Paris?
14/11/15
13/11/15
Hoje apetece-me ouvir
Os Músicos do Tejo - Sinfonia da ópera "La Spinalba" de Francisco António de Almeida
Os Músicos do Tejo - In queste lacrime, Arsindo specchiasti (Il Trionfo d'Amore) de Francisco António de Almeida; Sandra Medeiros, soprano.
Os Músicos do Tejo
Os Músicos do Tejo
10/11/15
Acordo(s) de mínimos
Mas um Mínimo chamado Kevin tem um plano e, juntamente com o rebelde Stuart e o adorável Bob, aventuram-se pelo mundo à procura de um novo e malvado chefe para seguirem...
Pensamento negativo
Não me enganei. Quero mesmo falar do pensamento negativo. Habitualmente, falamos de pensamento positivo e, nas nossas conversas, principalmente quando estamos mais frágeis, ouvimos muitas vezes como incentivo “vá lá, pensamento positivo!”.
Associamos normalmente pensamento positivo com optimismo e alegria e pensamento negativo com pessimismo e tristeza. Pensamento negativo é também confundido com maus pensamentos.
No entanto, não é bem assim. A psicologia positiva não é a mesma coisa que optimismo ou pensamento positivo, embora sejam aspectos fundamentais. O optimismo é um dos traços que provoca maior bem-estar nas pessoas, fazendo parte dos pilares da psicologia positiva (Seligman).
Seligman veio alertar e demonstrar, através da investigação científica, que é fundamental estudar e conhecer as forças e virtudes humanas que contribuem para as pessoas serem felizes.
Durante muitos anos a psicologia centrou-se nos aspectos da doença mental, e recentemente a psicologia do bem-estar veio centrar a psicologia, ciência do comportamento, no funcionamento optimista do ser humano, nas forças e virtudes do indivíduo e nas áreas fundamentais do bem-estar (emoção positiva, envolvimento, significado, realização pessoal, relações positivas).
No entanto, o pensamento negativo também é importante para a modificação cognitiva.
Os benefícios do pensamento negativo têm sido estudados e sabe-se que “algumas cognições focalizadas sobre a interpretação negativa dos acontecimentos pode ter um valor adaptativo”.
Um exemplo disso é o que chamamos “condução defensiva”, que não é outra coisa que uma condução que depende do pensamento negativo.
Se vemos um carro a baixa velocidade à nossa frente que não faz um sinal que devia fazer, podemos pensar que se trata de alguém que não conhece o local ou que esta com algum problema pessoal. Mas também posso pensar que os condutores tem obrigação de saber circular sem dificuldade e que está tudo bem…
Numa pessoa ansiosa sempre que um pensamento negativo é identificado, o terapeuta não tem “como fim apenas a sua substituição por um pensamento positivo mas antes procurar investigar se esse pensamento negativo tem justificação e como ele pode ser modulado ou contrabalançado por interpretações mais positivas ou neutras”.
É assim necessário procurar um equilíbrio entre pensamentos negativos e positivos resultante do nosso diálogo interno que pode ser positivo, de conflito, negativo e anormalmente positivo.
É positivo quando do nosso diálogo interno temos mais pensamentos positivos do que negativos. É o funcionamento normal do nosso pensamento.
Há conflito quando nos confrontamos com metade de pensamentos positivos e metade de pensamentos negativos. Ainda nos podemos conservar adaptados mas, certamente, com alguma ansiedade.
Negativo, quando temos mais pensamentos negativos do que positivos. Estamos num estado de ansiedade e depressivo severo, comprometendo a nossa integração no meio em que vivemos.
Finalmente, o pensamento é anormalmente positivo em situações patológicas como nos estados maníacos das perturbações obsessivo-compulsivas (poc). A alegria e euforia são patológicas.
Os pensamentos negativos têm importância face a um mundo que não é, propriamente, um mar de rosas e onde, facilmente, apenas se podem considerar felizes, como diz o povo, “os patetas alegres” ou “os contentinhos da silva”.
Dito isto, também sabemos que a melhor atitude mental é ter sempre uma visão positiva da realidade dos factos da nossa vida.
09/11/15
Fantásticas desatenções da infância
Miguel Araújo - Capitão fantástico
Da estação-Mãe para, mais tarde, a estação-Patrícia: "Ele há qualquer coisa nos olhos de Patrícia que não me deixa dormir"
Miguel Araújo - Canção do ciclo preparatório
e lembro-me da desatenção de
Page d’écriture
Deux et deux quatre
quatre et quarte huit
huit et huit font seize…
Répétez ! dit le maître
Deux et deux quatre
quatre et quatre huit
huit et huit font seize.
Mais voilà l’oiseau lyre
qui passe dans le ciel
l’enfant le voit
l’enfant l’entend
l’enfant l’appelle
Sauve-moi
joue avec moi
oiseau !
Alors l’oiseau descend
et joue avec l’enfant
Deux et deux quatre…
Répétez ! dit le maître
et l’enfant joue
l’oiseau joue avec lui…
Quatre et quatre huit
huit et huit font seize
et seize et seize qu’est-ce qu’ils font ?
Ils ne font rien seize et seize
et surtout pas trente-deux
de toute façon
ils s’en vont.
Et l’enfant a caché l’oiseau
dans son pupitre
et tous les enfants
entendent sa chanson
et tous les enfants
entendent la musique
et huit et huit à leur tour s’en vont
et quatre et quatre et deux et deux
à leur tour fichent le camp
et un et un ne font ni une ni deux
un à un s’en vont également.
Et l’oiseau lyre joue
et l’enfant chante
et le professeur crie :
Quand vous aurez fini de faire le pitre
Mais tous les autres enfants
écoutent la musique
et les murs de la classe
s’écroulent tranquillement
Et les vitres redeviennent sable
l’encre redevient eau
les pupitres redeviennent arbres
la craie redevient falaise
le port-plume redevient oiseau.
Jacques Prévert - Paroles
in Alberto Carneiro, Elvira Leite e Manuela Malpique, O espaço pedagógico, 2 Corpo/Espaço/Comunicação
Yves Montand - Page d´écriture
08/11/15
Fim de tarde com Brahms
8 de Nov., Cine-Teatro Avenida, Castelo Branco - Concerto pela Orquestra Filarmonia das Beiras, dirigida pelo maestro Ernst Schelle.
Terceiro programa do Ciclo Caixa Brahms - 2014/2016 - Integral das Sinfonias e dos Concertos, que conta com o apoio da Caixa Geral de Depósitos.
Programa:
- Concerto para Violino e Orquestra, em Ré maior, Op.77, com a interpretação do violinista André Fonseca.
- Sinfonia nº1 em Dó menor, Op. 68.
Não deixa de ser impressionante que, conforme o próprio declarou, a sinfonia tenha levado a escrever vinte e um anos, de 1855 a 1876.
04/11/15
Malabarismo político
Completa-se o primeiro mês pós-eleitoral. Costa ainda não se demitiu. Em vez disso, tem-se sujeitado a mostrar o que tem de pior e o pior que tem um político.
Ao fim de tanto tempo ainda não conseguiu concretizar o(s) acordo(s) que vai (vão) mudar o país e acabar com a austeridade. A responsabilidade disso é do Presidente da República que andou a perder tempo com a nomeação de um governo que resultou de uma maioria relativa que, por acaso, até ganhou as eleições!
Capriche, à vontade, nesse tal acordo (ou acordos) que não perde pela demora.
P.S.: A gente lê e não acredita. Os outros são sempre responsáveis pelo que eles estão a fazer ao país. O rapaz da bom atómica vem dizer que "foi a deriva do PSD que fez aproximar o PS da esquerda".
P.S. 2 (9-11-15): "Há acordo no que há acordo, e não há acordo onde não há acordo". A lapalissada do acordo. É de ir às lágrimas.
P.S. 3 (9-11-15): A primeira gigantesca desculpa: as gigantescas pressões. "Vamos ter, certamente, gigantescas pressões da Europa da austeridade; vamos ter, certamente, gigantescas pressões dos grandes grupos financeiros internacionais, que têm lucrado tanto com a venda do nosso país ao desbarato; vamos ter gigantescas pressões do sistema financeiro e dos grandes grupos económicos que têm gostado tanto da destruição das condições do trabalho e da vida em Portugal", disse Catarina Martins..." Esqueceu-se de falar das gigantescas pressões que virão da troica externa Catarina/Jerónimo/Verdes e da troica interna Costa/César/Centeno.
P.S. 4 (10-11-15): Diz a comunicação social (rtp, tvi, sic) que, em segredo (à porta fechada), sem a presença de qualquer órgão de comunicação social, individualmente, à hora de almoço, numa sala qualquer de S. Bento, foram assinados três acordos. Estes acordos-golpada dos perdedores das eleições de 4 de Outubro são a tradução da ambição pessoal de Costa. A democracia levou o primeiro corte.
P.S. 5 (13-11-15): Em 2009, era assim: “os portugueses conquistaram um direito a que não podem nem devem renunciar: o direito a que os governos não sejam formados pelos jogos partidários, mas que resultem da vontade expressa, maioritária, clara e inequívoca de todos os portugueses”
P.S. 6 (24-11-15): Depois de 51 dias, a maior parte deles de grande indefinição política, hoje ficou a saber-se que o próximo primeiro-ministro será António Costa. O líder do PS foi esta manhã a Belém, encontrar-se com Cavaco Silva (ontem já lá tinha estado) e pouco depois o Presidente da República revelava que o tinha indigitado PM, com a incumbência de formar governo.
P.S. 3 (9-11-15): A primeira gigantesca desculpa: as gigantescas pressões. "Vamos ter, certamente, gigantescas pressões da Europa da austeridade; vamos ter, certamente, gigantescas pressões dos grandes grupos financeiros internacionais, que têm lucrado tanto com a venda do nosso país ao desbarato; vamos ter gigantescas pressões do sistema financeiro e dos grandes grupos económicos que têm gostado tanto da destruição das condições do trabalho e da vida em Portugal", disse Catarina Martins..." Esqueceu-se de falar das gigantescas pressões que virão da troica externa Catarina/Jerónimo/Verdes e da troica interna Costa/César/Centeno.
P.S. 4 (10-11-15): Diz a comunicação social (rtp, tvi, sic) que, em segredo (à porta fechada), sem a presença de qualquer órgão de comunicação social, individualmente, à hora de almoço, numa sala qualquer de S. Bento, foram assinados três acordos. Estes acordos-golpada dos perdedores das eleições de 4 de Outubro são a tradução da ambição pessoal de Costa. A democracia levou o primeiro corte.
P.S. 5 (13-11-15): Em 2009, era assim: “os portugueses conquistaram um direito a que não podem nem devem renunciar: o direito a que os governos não sejam formados pelos jogos partidários, mas que resultem da vontade expressa, maioritária, clara e inequívoca de todos os portugueses”
P.S. 6 (24-11-15): Depois de 51 dias, a maior parte deles de grande indefinição política, hoje ficou a saber-se que o próximo primeiro-ministro será António Costa. O líder do PS foi esta manhã a Belém, encontrar-se com Cavaco Silva (ontem já lá tinha estado) e pouco depois o Presidente da República revelava que o tinha indigitado PM, com a incumbência de formar governo.
Já se conhece o elenco governativo. Como disse Sobrinho Simões, voltou a alegria ao país!
P. S. 7 (26-11-15): 53 dias depois das eleições legislativas, o governo-golpada acaba de tomar posse. Declarou César: Vem aí um "país novo"!
Moral da história: A fonte deixou de ser luminosa. "O tempo é de ficar do outro lado. Por todo o lado e bem à vista."
P. S. 7 (26-11-15): 53 dias depois das eleições legislativas, o governo-golpada acaba de tomar posse. Declarou César: Vem aí um "país novo"!
Moral da história: A fonte deixou de ser luminosa. "O tempo é de ficar do outro lado. Por todo o lado e bem à vista."
29/10/15
"O poder e o seu simulacro"
"Diga-se desde já que se trata de uma questão em que é particularmente posta em causa a função desempenhada pelos intelectuais no desenvolvimento do estalinismo. Porquê mais especificamente os intelectuais ? Porque a sua função se define exactamente, quanto ao essencial, a partir de uma função de linguagem. Nesta precisa circunstância, segundo modalidades particulares. Numa longa nota colocada em apêndice à obra de Dominique Desanti *, Les staliniens, Jean Toussaint Desanti ** sublinha que aquilo que «o Partido» dá aos intelectuais que dele são membros e que nele desempenham a sua função (escrever artigos, fazer conferências, participar em debates ideológicos,etc.) é um «simulacro de poder». Um simulacro, porque do poder real, de decisão e de acção, habitualmente o intelectual, «o falador» não dispõe mais do que um qualquer militante de base, e ainda menos que as massas do exterior; é a organização, a orga, segundo um dos termos do léxico estalinista. (Pergunta chave, inclusive no mais irrisório e minoritário grupúsculo de extrema esquerda: estás organizado? Nada de mais deplorável, como é sabido que ser um «não organizado»...) Habitualmente, na prática política estaliniana, a «orga» fala pouco, e só para publicar as suas directivas; e também as análises, que as instâncias dirigentes são levadas a tornar públicas, são apresentadas num estilo de «directiva». Ora, este aparelho, que como todo o aparelho é um órgão de poder, de autoridade (e não me ponho aqui a questão da legitimidade ou ilegitimidade desse poder: limito-me a constatar uma situação de facto), não conseguiria subsistir como tal, simultaneamente na vida interna do grupo social que dirige (o «partido» no seu conjunto) e nas tentativas de exercer um impacto sobre toda a sociedade que também aspira a dirigir - não conseguiria portanto funcionar como tal, sem a ajuda específica do discurso que apoia (com os seus comentários, as suas glosas, as suas justificações, etc.) as suas decisões. É no desenvolvimento deste discurso que substancialmente se situa, na minha opinião, o essencial do simulacro de que fala Desanti. Como todo o discurso, de facto, este reveste uma função de vínculo social, o que comporta, neste caso, que ele realize simbolicamente e imaginariamente aquele âmbito de reconhecimento recíproco em que cada sujeito-membro vem a gozar de uma unidade não contraditória, de uma identidade tranquilizadora e consoladora que Desanti denomina. também, bastante ajustadamente, um «consenso». E, de facto, há consenso, proporcionado pelo discurso em que a comunidade em questão encontra meio de falar-se e de reconhecer-se na sua palavra (que desorientação para muitos de «nós», por exemplo, quando, em Maio-Junho de 1968, não tínhamos podido encontrar o nosso «Huma» [«l'Humanité»] quotidiano: a situação não nos oferecia nada em que reconhecer-nos, as coisas não caminhavam conforme o previsto); e também, e é este o outro inevitável aspecto do discurso como «vínculo social», proporcionado pelo interdito de que este discurso é, como sempre, literalmente o «modo de ser». Donde o autêntico pânico subjetivo que pode manifestar-se perante toda a ameaça, de separação (a exclusão, ou simplesmente «o já não estar de acordo com as posições do Partido», etc.) e, de uma maneira geral, perante toda a ameaça de ruptura e desagregação do consenso-interdito (um «um» que se dividisse em «dois» é aqui impensável, inimaginável, a «palavra de ordem» é, isso sim: cuidemos da unidade do Partido «como da pupila dos nossos olhos»!) em que se funda aquela virtude cardeal mais que qualquer outra que se chama, em linguagem estalinista, «a devoção e a fidelidade ao Partido». Virtude das virtudes: morrer depois de ter dado prova da sua «fiel devoção ao Partido», mesmo quando havia todas as razões para dele duvidar; ou seja: ter lá permanecido igualmente e morrer sem dizer nada. Parabéns, «orga»!"
* 1956 marque un tournant fort dans sa vie. Après la répression du soulèvement de Budapest et la découverte précoce du Rapport Khrouchtchev au XXe congrès du Parti communiste d'Union soviétique, elle quitte le Parti communiste français, tandis que Jean-Toussaint y reste jusqu’en 1962. Quittant la presse communiste, elle doit réorienter sa carrière de journaliste, mais reste fidèle à son engagement à gauche.
** Jean-Toussaint Desanti a enseigné la philosophie aux écoles normales supérieures de la rue d'Ulm et de Saint-Cloud ainsi qu'à la Sorbonne. Il a eu pour élèves Michel Foucault et Louis Althusser, dont il a fortement influencé l'engagement politique. Il est proche de Jacques Lacan. Il a dirigé notamment la thèse de Doctorat d'État de Jacques Derrida (1980) et celle de Souleymane Bachir Diagne.
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