29/10/15

"O poder e o seu simulacro"

"Diga-se desde já que se trata de uma questão em que é particularmente posta em causa a função desempenhada pelos intelectuais no desenvolvimento do estalinismo. Porquê mais especificamente os intelectuais ? Porque a sua função se define exactamente, quanto ao essencial, a partir de uma função de linguagem. Nesta precisa circunstância, segundo modalidades particulares. Numa longa nota colocada em apêndice à obra de Dominique Desanti *, Les staliniens, Jean Toussaint Desanti ** sublinha que aquilo que  «o Partido» dá aos intelectuais que dele são membros e que nele desempenham a sua função (escrever artigos, fazer conferências, participar em debates ideológicos,etc.) é um «simulacro de poder». Um simulacro, porque do poder real, de decisão e de acção, habitualmente o intelectual, «o falador» não dispõe mais do que um qualquer militante de base, e ainda menos que as massas do exterior; é a organização, a orga, segundo um dos termos do léxico estalinista. (Pergunta chave, inclusive no mais irrisório e minoritário grupúsculo de extrema esquerda: estás organizado? Nada de mais deplorável, como é sabido que ser um «não organizado»...) Habitualmente, na prática política estaliniana, a «orga» fala pouco, e só para publicar as suas directivas; e também as análises, que as instâncias dirigentes são levadas a tornar públicas, são apresentadas num estilo de «directiva». Ora, este aparelho, que como todo o aparelho é um órgão de poder, de autoridade (e não me ponho aqui a questão da legitimidade ou ilegitimidade desse poder: limito-me a constatar uma situação de facto), não conseguiria subsistir como tal, simultaneamente na vida interna do grupo social que dirige (o «partido» no seu conjunto) e nas tentativas de exercer um impacto sobre toda a sociedade que também aspira a dirigir - não conseguiria portanto funcionar como tal, sem a ajuda específica do discurso que apoia (com os seus comentários, as suas glosas, as suas justificações, etc.) as suas decisões. É no desenvolvimento deste discurso que substancialmente se situa, na minha opinião, o essencial do simulacro de que fala Desanti. Como todo o discurso, de facto, este reveste uma função de vínculo social, o que comporta, neste caso, que ele realize simbolicamente e imaginariamente aquele âmbito de reconhecimento recíproco em que cada sujeito-membro vem a gozar de uma unidade não contraditória, de uma identidade tranquilizadora e consoladora que Desanti denomina. também, bastante ajustadamente, um «consenso». E, de facto, há consenso, proporcionado pelo discurso em que a comunidade em questão encontra meio de falar-se e de reconhecer-se na sua palavra (que desorientação para muitos de «nós», por exemplo, quando, em Maio-Junho de 1968, não tínhamos podido encontrar o nosso «Huma» [«l'Humanité»] quotidiano: a situação não nos oferecia nada em que reconhecer-nos, as coisas não caminhavam conforme o previsto); e também, e é este o outro inevitável aspecto do discurso como «vínculo social», proporcionado pelo interdito de que este discurso é, como sempre, literalmente o «modo de ser». Donde o autêntico pânico subjetivo que pode manifestar-se perante toda a ameaça, de separação (a exclusão, ou simplesmente «o já não estar de acordo com as posições do Partido», etc.) e, de uma maneira geral, perante toda a ameaça de ruptura e desagregação do consenso-interdito (um «um» que se dividisse em «dois» é aqui impensável, inimaginável, a «palavra de ordem» é, isso sim: cuidemos da unidade do Partido «como da pupila dos nossos olhos»!) em que se funda aquela virtude cardeal mais que qualquer outra que se chama, em linguagem estalinista, «a devoção e a fidelidade ao Partido». Virtude das virtudes: morrer depois de ter dado prova da sua «fiel devoção ao Partido», mesmo quando havia todas as razões para dele duvidar; ou seja: ter lá permanecido igualmente e morrer sem dizer nada. Parabéns, «orga»!"

(Jean-Louis Houdebine, «Ter um Estaline na Língua», Sexualidade e Poder, Dir. de Armando Verdiglione, 1976, trad.port.1978)
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1956 marque un tournant fort dans sa vie. Après la répression du soulèvement de Budapest et la découverte précoce du Rapport Khrouchtchev au XXe congrès du Parti communiste d'Union soviétique, elle quitte le Parti communiste français, tandis que Jean-Toussaint y reste jusqu’en 1962. Quittant la presse communiste, elle doit réorienter sa carrière de journaliste, mais reste fidèle à son engagement à gauche.

** Jean-Toussaint Desanti a enseigné la philosophie aux écoles normales supérieures de la rue d'Ulm et de Saint-Cloud ainsi qu'à la Sorbonne. Il a eu pour élèves Michel Foucault et Louis Althusser, dont il a fortement influencé l'engagement politique. Il est proche de Jacques Lacan. Il a dirigé notamment la thèse de Doctorat d'État de Jacques Derrida (1980) et celle de Souleymane Bachir Diagne.

27/10/15

"Fantasma teimoso..."

Quero voltar a falar de ansiedade pela importância que ela tem na nossa vida. 
A ansiedade não é um capricho, é uma casa assombrada, (Paula Cosme Pinto, "A vida de saltos altos", Expresso) onde vive “um fantasma teimoso que, quando nos apanha, passa meses sem nos largar” (Brenna Twohy no poema “Anxiety: A Ghost Story”).
A ansiedade acompanha vários quadros psicopatológicos e é sobretudo perturbadora da nossa qualidade de vida.
A ansiedade faz-nos viver, nos pensamentos e nas emoções, antecipadamente, situações desagradáveis e desconfortáveis que quase de certeza nunca vão existir na nossa vida. 
Este sofrimento resulta de querermos controlar o que não é controlável, queremos ter sempre razão nas discussões, nas polémicas, na coerência da vida familiar, social e política em relação a factos que não ocorreram.  Ou se ocorreram, como nas situações de stress, continuamos a fazer o nosso papel de vítimas. E o que é necessário muitas vezes é "parar de ter razão e começar a ser feliz" (Dr. Phil).
A comunicação social de vez em quando refere pessoas famosas, ou tidas como tal, que não se inibem, felizmente, de falar destas doenças como falamos das doenças físicas. *

Um bom exemplo do que dissemos sobre ansiedade é o da cantora Lana Del Rey que em entrevista à Billboard, fez algumas revelações quanto à sua luta com a ansiedade, ataques de pânico e ainda o seu medo da morte.
" É difícil para mim, às vezes, pensar sobre prosseguir quando eu sei que nós vamos morrer. Alguma coisa aconteceu nos últimos três anos, com o meu pânico…
E ficou ainda pior. Mas eu sempre fui propensa a isso. Eu lembro que — eu estava, eu acho, com 4 anos — tinha acabado de ver um programa na TV em que uma pessoa foi morta. E virei-me para os meus pais e disse: “Nós todos vamos morrer?” Eles disseram sim e eu fiquei totalmente perturbada. Caí em lágrimas e disse: “Nós temos que seguir em frente!”
Eu vi um terapeuta — três vezes. Mas sinto-me realmente mais confortável sentada naquela cadeira no estúdio, escrevendo ou cantando."
Temos aqui três formas de lidar com a ansiedade: Falar da nossa ansiedade pode ser um bom começo porque é, desde logo, alterar a nossa maneira de descobrir e expressar os sentimentos, depois afastar os pensamentos ilógicos e,  finalmente,  realizar actividades profissionais ou outras. Não nos esqueçamos que o principal problema das pessoas ansiosas é a evitação das situações que provocam ansiedade.

Lana del Rey  - Honeymoon
versão de "Don't Let Me Be Misunderstood" 
canção escrita por Bennie Benjamin, Gloria Caldwell, and Sol Marcus para Nina Simone (1964).


Baby, entendes-me agora/ Se às vezes vês que estou louca / Não sabes que ninguém vivo pode ser um anjo sempre ?/ Quando tudo está errado, tu vês o lado mau /Mas eu sou apenas uma alma com boas intenções / Oh, Deus, por favor, não me deixes ser mal interpretada /... 
"Se eu parecer nervosa / Eu quero que saibas / Que nunca foi minha intenção descontar em ti / A vida tem os seus problemas / E eu tenho mais do que a minha parte / Mas isso é algo que nunca quis fazer / Porque eu amo-te"

A perturbação de ansiedade depende de diferenças interpessoais, designadamente da idade, sexo, relação afectiva, nível cultural mas afecta todo o tipo de culturas.
Há ainda o peso de factores tais como as circunstâncias da vida em que acontecem os episódios de ansiedade e com os níveis de ansiedade de cada pessoa. Certamente que quando nos confrontamos com situações traumáticas como a morte de um familiar ou de um amigo estamos mais influenciáveis.

As doenças do foro da ansiedade afectam 16,5% dos portugueses, uma das percentagens mais elevadas da Europa (Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental). A ansiedade é a doença mental mais prevalente em Portugal – principalmente entre os 18 e os 34 anos. Por isso, os serviços e as pessoas deviam dar mais atenção a esta perturbação psicológica... **
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* Na revista Happy Woman de Outubro, vem um testemunho: "como eu vivo com crises de pânico, sob anonimato aceitou escrever como é viver na sombra do medo". Para assuntos do foro psíquico ainda há necessidade de se falar sob anonimato.
Em contrapartida, a mesma revista refere as crises de pânico de algumas celebridades: Gisele Bundchen, Jonny Depp (acrofobia, medo das alturas e coulrofobia, medo dos palhaços), Kim Bassinger, Madonna, Emma Stone, Lady Gaga, Hugh Grant... (Happy Woman).

** Fundamentalmente aparece entre os 25 e os 40 anos, a maior virulência ocorre entre os 25 e os 30 anos  (Pilar Varela, Ansiosa-mente, A Esfera dos Livros)

21/10/15

Ansiedade

A ansiedade é um dos problemas psicológicos mais relevantes da vida actual. Aparentemente devíamos ter uma vida mais tranquila permitida pelo desenvolvimento tecnológico que atingimos e que facilitaria a nossa vida relacional mas parece que se verifica o contrário: ser constantemente informado de tudo o que se passa no mundo gera em nós algum desconforto, põe-nos em alerta, às vezes tira-nos o sono e torna-nos mais ansiosos.
Como temos vindo a falar, procuramos uma vida de bem-estar, isto é, uma vida de mais qualidade e significado, maior envolvimento, melhores relações e mais realização pessoal.
Por outro lado, vivemos na era da ansiedade que é um obstáculo ao bem-estar. Acontece que nem todos, nem sempre, temos capacidade para lidarmos com estas situações e reagimos mal ao nível de perigosidade com que nos defrontamos.
A ansiedade excessiva e persistente é fonte de infelicidade e mal-estar porque transforma a nossa vida numa permanente inquietação sem paz de espírito e alegria de viver.

"No mundo desenvolvido a ansiedade é a perturbação psicológica mais comum, seguida da depressão e do abuso de álcool e drogas."
"A ansiedade é uma reacção positiva e natural que o organismo põe em funcionamento para se defender face a uma ameaça ou simplesmente face a uma situação difícil."

Todos já sentimos alguma ansiedade numa avaliação ou exame, numa relação amorosa, num novo emprego. E isso é muito positivo e agradável.



Mas há situações patológicas em que não conseguimos lidar com a ansiedade. É necessário, por isso, reconhecer esta perturbação. A ansiedade manifesta-se no pensamento, no organismo e no comportamento.
A ansiedade pode ser ligeira e dominável (p.ex. tenho receio mas consigo andar de elevador), forte e incapacitante ( p.ex. não me lembro de nada, desisto do exame) ou extrema ( p.ex. vou ficar louco, vou morrer).
A ansiedade provoca alterações no organismo, no sistema nervoso central, vegetativo e endócrino: por exemplo ter palpitações, suar das mãos ou em todo o corpo, respiração acelerada, secura da boca ou alterações menos perceptíveis como aumento da pressão arterial ou aumento da tensão muscular…
Os comportamentos podem ir de pequenos tiques a grandes dependências. As pessoas ansiosas não costumam estar quietas, pelo contrário, executam movimentos repetitivos como a manipulação contínua de objectos, mexem ou arrancam cabelo, roem as unhas, comem em excesso ou recusam comida, abusam de tabaco, álcool e drogas…
Mas o comportamento mais significativo do indivíduo ansioso é a evitação: sente grande ansiedade se tiver que andar de elevador, perante animais, na escuridão… evita tudo o que dê inquietação.
A repetição deste comportamento vai reforçar a ansiedade . As condutas de evitação para neutralizar a ansiedade são bem conhecidas, embora algumas pessoas não as assumam, como fumar, beber ou tomar ansiolíticos, comer constantemente.
A ansiedade está e tem aspectos positivos no nosso contexto de vida. É importante saber lidar com ela para podermos atingir o bem-estar de que falamos,  aprendermos a controlar problemas pessoais e familiares, as perturbadoras noticias sobre o que se passa no mundo para podermos viver mais seguros e tranquilos.
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Baseado em Pilar Varela, Ansiosa-mente, A Esfera dos Livros. (Parte I, Reconhecer a ansiedade, Cap. 1, Como reconhecer a ansiedade)

20/10/15

Malabarismo político

Até ao 15º dia pós-eleitoral, Costa não se demitiu. Em vez disso, tem-se sujeitado a mostrar o que tem de pior e o pior que tem um político.
Na "Crónica dos bons malandros", os polícias fugiam à frente dos ladrões, como num filme de trás para a frente.
Costa acha que a sua atitude é como derrubar os últimos vestígios de um Muro de Berlim. Só que aqui não pode passar o filme às avessas. O que acontece é que foi o lado da liberdade que derrubou o muro e não foi a ditadura do proletariado, nem o centralismo democrático, nem a vanguarda da classe operária, nem a luta de classes, nem a nomenclatura, nem nenhum regime totalitário, nem nenhum pc, nem nenhum pc-ml, nem nenhum pc-mlm, nem  internacionalista da 4ª, ... mas aqueles que queriam ser livres.
O problema é que na história do muro não houve bons malandros antes vítimas que ousaram romper o cerco pagando com a vida por quererem ser livres.
Costa, malabarista, pode dizer todas as inanidades e desvirtuar os acontecimentos, pode fingir querer negociar com quem ganhou  as eleições, pode fingir querer cooperar, ou o que quiser, governar com quem quiser, prometer o que quiser... o que não pode é dizer que a história não foi assim.
Mas não se podem estranhar atitudes similares a quem consegue afirmar que não foi o governo PS que chamou a troica, a quem consegue negar  o estado a que o país chegou em 2011...
Costa, malabarista, tem todo o direito de querer ser primeiro-ministro, mas já agora podia fazer o favor à gente de ganhar as eleições, nem que seja por "poucochinho".

19/10/15

Serena humildade


Entrevista de Freud, aos 70 anos, ao jornalista americano George Sylvester Viereck, em 1926. Notável a humildade e a aceitação da vida como ela acontece. A importância de viver a vida sem a prosápia do desejo de imortalidade e do reconhecimento da  história. O homem que vive a vida até ao fim, "a vida tem que completar o seu ciclo de existência".
Semmering vom Hirschenkogel.JPG
Semmering
...
- O senhor teve a fama - disse eu. - Sua obra influi na literatura de cada país. O homem olha a vida e a si mesmo com outros olhos, por causa do senhor. E recentemente, no seu septuagésimo aniversário, o mundo se uniu para homenageá-lo - com excepção da sua própria universidade!
- Se a Universidade de Viena me demonstrasse reconhecimento, eu ficaria embaraçado. Não há razão porque deveriam aceitar a mim e a minha obra porque tenho setenta anos. Eu não atribuo importância insensata aos decimais. A fama chega apenas quando morremos e, francamente, o que vem depois não me interessa. Não aspiro à glória póstuma. Minha modéstia não é virtude.
- Não significa nada o facto de que o seu nome vai viver?
- Absolutamente nada, mesmo que ele viva, o que não é certo. Estou bem mais preocupado com o destino de meus filhos. Espero que a vida deles não venha a ser difícil. Não posso ajudá-los muito. A guerra praticamente liquidou com minhas posses, o que havia poupado durante a vida. Mas posso me dar por satisfeito. O trabalho é minha fortuna.
Estávamos subindo e descendo uma pequena trilha no jardim da casa. Freud acariciou ternamente um arbusto que floria.
- Estou muito mais interessado neste botão do que no que possa acontecer depois de morto.
...

18/10/15

Hoje apetece-me ouvir

The Healer  - John Lee Hooker e Carlos Santana

"Carlos, o blues curou-me".
A música cura nesta manhã chuvosa e agradável.
Cura sempre e "all over the world", se tu deixares.

13/10/15

Transformação


Por mais que a gente não queira, não deixa de ser deprimente assistir a este espectáculo da gestão do somatório dos votos dos cidadãos. A política merece toda a atenção mas deixa de fazer sentido darmos demasiada importância a alguns políticos, que nos governam ou querem governar, e também se governam, embora alguns mais videirinhos do que outros.
No entanto, há uma realidade para além dos "corredores" do poder, que nos entra por casa dentro, pela comunicação social…
Alguns factos, dos últimos dias, que me chamaram a atenção:
- Os acidentes de viação que continuam destroçar famílias inteiras, a trazer grande sofrimento às pessoas. E o que incomoda mais é que alguns destes problemas devem-se simplesmente aos nossos comportamentos desajustados: continuamos a conduzir e a falar ao telemóvel, continuamos a beber e a conduzir e continuamos a andar com excesso de velocidade...
- os amores e desamores dos famosos, colunáveis, efémeros, oscilam entre a grandeza moral e a exposição da miséria moral na praça pública,
-  as praxes nas universidades continuam como sinal atávico do autoritarismo,
- a violência juvenil aumenta,
- as depressões aumentam, as depressões provocadas pelas redes sociais também estão a aumentar,
- os jovens estão a consumir mais tabaco. As campanhas anti-tabaco não deram resultado. As raparigas consomem mais do que os rapazes,
- Continua a violência doméstica, os maus tratos infantis...
Estes comportamentos não são de esquerda nem de direita e, portanto, ultrapassam esses jogos das somas aritméticas para constituir governo, isto é, dependem de cada um de nós. O que nos impede de mudarmos estes comportamentos?
Por que é que têm falhado todos estes projectos, principalmente aqueles onde se tem investido mais económica, legal e socialmente ? Provavelmente porque estes programas não são transformadores da nossa vida.
As crianças são levadas a compreender que o tabaco faz mal à saúde, que podem morrer mais cedo, que prejudica os outros… sim e depois ? Se os projectos e programas preventivos não funcionam é porque eles não levam à transformação da sua vida. A transformação passa por termos uma perspectiva positiva da nossa vida.

Nos países desenvolvidos vive-se melhor do que há cinquenta anos e podíamos dar vários exemplos a nível da habitação, educação, saúde… O progresso na esfera material é indiscutível mas também na cultura, na música, nos direitos cívicos...  Mas não é apenas isso que faz o bem-estar como indicam as noticias dos jornais de que falámos no início. Com toda esta prosperidade material não estamos mais felizes. Pelo contrário.
Com a serenidade de quem levou uma vida activa a querer transformar-se e tentou transformar algumas crianças e jovens, desejaria que as circunstâncias sociais e politicas fossem objectivadas no sentido da politica e economia do bem-estar, que não é de esquerda nem de direita .
Este podia ser o tempo da positividade e não da criação de clivagens ainda mais profundas entre "fraquezas" partidárias.
Este podia ser o tempo de dizer sim:
... A mais emoção positiva.
... A mais envolvimento.
... A melhores relações.
... A mais significado na vida.
... A mais realização pessoal positiva.(Seligman)

O milagre português, segundo Costa

Dito e feito

12 Out, 2015

Ponto final. Dito e feito.
A austeridade acabou.
E foram todos almoçar, se bem que a bolsa tivesse começado a cair...