18/10/15

Hoje apetece-me ouvir

The Healer  - John Lee Hooker e Carlos Santana

"Carlos, o blues curou-me".
A música cura nesta manhã chuvosa e agradável.
Cura sempre e "all over the world", se tu deixares.

13/10/15

Transformação


Por mais que a gente não queira, não deixa de ser deprimente assistir a este espectáculo da gestão do somatório dos votos dos cidadãos. A política merece toda a atenção mas deixa de fazer sentido darmos demasiada importância a alguns políticos, que nos governam ou querem governar, e também se governam, embora alguns mais videirinhos do que outros.
No entanto, há uma realidade para além dos "corredores" do poder, que nos entra por casa dentro, pela comunicação social…
Alguns factos, dos últimos dias, que me chamaram a atenção:
- Os acidentes de viação que continuam destroçar famílias inteiras, a trazer grande sofrimento às pessoas. E o que incomoda mais é que alguns destes problemas devem-se simplesmente aos nossos comportamentos desajustados: continuamos a conduzir e a falar ao telemóvel, continuamos a beber e a conduzir e continuamos a andar com excesso de velocidade...
- os amores e desamores dos famosos, colunáveis, efémeros, oscilam entre a grandeza moral e a exposição da miséria moral na praça pública,
-  as praxes nas universidades continuam como sinal atávico do autoritarismo,
- a violência juvenil aumenta,
- as depressões aumentam, as depressões provocadas pelas redes sociais também estão a aumentar,
- os jovens estão a consumir mais tabaco. As campanhas anti-tabaco não deram resultado. As raparigas consomem mais do que os rapazes,
- Continua a violência doméstica, os maus tratos infantis...
Estes comportamentos não são de esquerda nem de direita e, portanto, ultrapassam esses jogos das somas aritméticas para constituir governo, isto é, dependem de cada um de nós. O que nos impede de mudarmos estes comportamentos?
Por que é que têm falhado todos estes projectos, principalmente aqueles onde se tem investido mais económica, legal e socialmente ? Provavelmente porque estes programas não são transformadores da nossa vida.
As crianças são levadas a compreender que o tabaco faz mal à saúde, que podem morrer mais cedo, que prejudica os outros… sim e depois ? Se os projectos e programas preventivos não funcionam é porque eles não levam à transformação da sua vida. A transformação passa por termos uma perspectiva positiva da nossa vida.

Nos países desenvolvidos vive-se melhor do que há cinquenta anos e podíamos dar vários exemplos a nível da habitação, educação, saúde… O progresso na esfera material é indiscutível mas também na cultura, na música, nos direitos cívicos...  Mas não é apenas isso que faz o bem-estar como indicam as noticias dos jornais de que falámos no início. Com toda esta prosperidade material não estamos mais felizes. Pelo contrário.
Com a serenidade de quem levou uma vida activa a querer transformar-se e tentou transformar algumas crianças e jovens, desejaria que as circunstâncias sociais e politicas fossem objectivadas no sentido da politica e economia do bem-estar, que não é de esquerda nem de direita .
Este podia ser o tempo da positividade e não da criação de clivagens ainda mais profundas entre "fraquezas" partidárias.
Este podia ser o tempo de dizer sim:
... A mais emoção positiva.
... A mais envolvimento.
... A melhores relações.
... A mais significado na vida.
... A mais realização pessoal positiva.(Seligman)

O milagre português, segundo Costa

Dito e feito

12 Out, 2015

Ponto final. Dito e feito.
A austeridade acabou.
E foram todos almoçar, se bem que a bolsa tivesse começado a cair...

12/10/15

"a rosa, timbres"

a rosa, timbres

e outro silêncio enquanto  o som repousa:
desfez-se o seu rebordo numa espuma.
de que sombra dos sons se faz a rosa?
da matéria das sombras?  de nenhuma?

de que fosco murmúrio, cristal, bruma?
de que espirais da noite vagarosa?
do coração desfeito? ou não costuma
a luz gravar-se em sombras numa lousa?

coração rouco, o coração, falhada,
a voz vinda do vento se desate
num ramo de penumbras, descontínuo,

o mundo passe a ser feito de nada,
só de efémeras rosas  a rebate,
como gritos de sangue no destino.

Vasco Graça Moura,"variações sobre um tema rilkiano", Poesia 1963-1995, Círculo de Leitores.

09/10/15

Hoje apetece-me ouvir

Simone de Oliveira - Sol de Inverno 


A comemorar 58 anos de carreira, Simone de Oliveira foi esta quinta-feira, 8 de Outubro, condecorada pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Durante a cerimónia, que decorreu no palácio de Belém, Cavaco Silva elogiou as qualidades artísticas e humanas da cantora e atriz, de 77 anos...

08/10/15

Hoje apetece-me ouvir

Dave Brubeck - Take Five 

"Take Five" é uma composição de jazz escrita por Paul Desmond e apresentada pelo The Dave Brubeck Quartet no álbum Time Out, de 1959. Gravada no 30th Street Studios em Nova Iorque em 25 de junho, 1 de julho e 18 de agosto do mesmo ano, a obra é uma das gravações mais famosas do grupo, notória por sua melodia distinta, pelo solo de bateria de Joe Morello e pelo uso inusitado do compasso 5/4, de onde se origina o nome da composição... 
Depois da sua morte, em 1977, Desmond deixou os direitos da sua obra, incluindo "Take Five", à Cruz Vermelha Americana. (Wikipedia)
Das inúmeras versões, destaco a de Quincy Jones.

07/10/15

A mudança para uma sociedade de bem-estar

Não há democracia sem eleições livres mas devemos interrogar-nos para quê e para quem servem as eleições livres. Apenas para mudar ou continuar com os mesmos protagonistas políticos e ou mudar de políticas ou, ainda, para tudo isso, mas tendo em conta novas perspectivas da vida e do mundo, desde que elas respeitem os direitos do ser humano?
Em princípio, os cidadãos escolhem as propostas politicas que preferem para a sua vida na expectativa de que daí resultem melhorias para a sua vida, a vida dos cidadãos e dos países. 
Porém, isto não quer dizer, que muitas propostas não estejam completamente fora da realidade económica, social e psicológica das pessoas, que não haja propostas mais ou menos fossilizadas e tragam à memória alguns ditadores que fazem parte de períodos históricos de grande sofrimento para alguns países, que o espírito crítico ainda não foi capaz de desconstruir.
Podemos perguntar-nos até que ponto vai a cegueira ideológica, a negação da realidade, se depois de tudo o que se sabe hoje, não temos capacidade para ficarmos horrorizados com a história desses ditadores sejam da dita esquerda ou da dita direita.

Vota-se na continuidade ou na mudança. Num caso, a mudança pode ser a melhor opção, outras vezes a melhor opção é a continuidade.
Vivemos num tempo em que os antigos chavões deixaram de fazer sentido como, por exemplo, falar de crescimento sem se explicar que crescimento e para que o querem.
Na manhã de 5 de Outubro, depois das eleições do dia anterior, verificamos que a nossa vida vai continuar na mesma, independentemente de quem ganhou e quem perdeu... se bem que, em Portugal, todos ganhem sempre em todas as eleições.

A mudança é outra coisa e, se quisermos que haja mudança, têm que ser as pessoas a fazê-la. Ou seja, tendo ganho um partido ou outro, a pergunta a fazer é o que é que cada um de nós pode fazer por si próprio e pelo seu país.
Aquilo que está subjacente ao voto dos cidadãos é que da vontade colectiva possa vir mais bem-estar para as pessoas. Mas o que é o bem-estar ? Na realidade, o bem-estar pode ser definido por cinco elementos (Seligman):
Emoção positiva, da qual fazem parte a felicidade e a satisfação com a vida.
Envolvimento.
Significado, não apenas para si próprio as também para os outros.
Realização pessoal, êxito na vida.  
Relações positivas:  as outras pessoas são o melhor remédio para a pessoas poderem melhorar a sua vida. Sartre não tinha razão quando achava que o inferno eram os outros. 

Há uma diferença entre PIB (produto interno bruto) e bem-estar. O PIB é insuficiente para percebermos o que se passa na vida das pessoas. Se é verdade que até certo ponto quanto mais dinheiro mais satisfação com a vida também é verdade que, a partir da base de segurança dada pelo dinheiro, deixa de ser assim.
Não sendo o PIB o único indicador sério do estado de uma nação, esperemos que nas instituições democráticas, as políticas possam mudar no sentido de aumentar o bem-estar.

Como já se previa neste período pós-eleitoral seria crucial a capacidade de políticos inteligentes procurarem estabelecer compromissos nas respectivas instituições, designadamente no parlamento.
O bem-estar das pessoas não é de esquerda nem de direita. Será que para os eleitos o bem-estar vai ser o mais importante ? 

06/10/15

Escolas de pequena dimensão


É tempo dos "crescidos" resolveram o problema da liberdade de educação. Não deviam meter as crianças nisto, nem castigá-las devido a indecisões, más decisões, desorganização e incapacidade para resolver um problema bem simples: a criação de uma rede de escolas de pequena dimensão, que aqui temos vindo a pedir em nome das crianças. E não vamos desistir.

04/10/15

Escolas de pequena dimensão

Discordo do método e do timing, mas...
É necessário olhar para esta situação, a nível nacional. Os pais querem que os seus filhos frequentem a escola local. Neste processo, os mais frágeis são as crianças e os pais e é por isso que  devem ser ouvidos e apoiados. Esta é, aliás, uma posição progressista, ao contrário do que pensam os "engenheiros do parqueamento" dos alunos em escolas "desligadas" do que é essencial: a proximidade dos pais.


Daqui

"O nosso objectivo é que reabram a escola, mas também queremos que nos expliquem porque é que esta escola fechou e outras que tinham menos alunos continuam a funcionar", acrescentou Marta Sousa, mãe de duas crianças, uma das quais a frequentar o primeiro ano do ensino básico."

"Vestidos de preto em sinal de luto, e com folhas que colocaram no local em que pedem "igualdade", os manifestantes recordam argumentos antigos, designadamente o facto de as crianças serem obrigadas a andar de transportes diariamente para irem para a escola de acolhimento, que fica a cerca de cinco quilómetros."

"Garantem ainda que a decisão não se traduziu numa poupança, já que é necessário assegurar transportes e alimentação para as 17 crianças."