09/10/15

Hoje apetece-me ouvir

Simone de Oliveira - Sol de Inverno 


A comemorar 58 anos de carreira, Simone de Oliveira foi esta quinta-feira, 8 de Outubro, condecorada pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Durante a cerimónia, que decorreu no palácio de Belém, Cavaco Silva elogiou as qualidades artísticas e humanas da cantora e atriz, de 77 anos...

08/10/15

Hoje apetece-me ouvir

Dave Brubeck - Take Five 

"Take Five" é uma composição de jazz escrita por Paul Desmond e apresentada pelo The Dave Brubeck Quartet no álbum Time Out, de 1959. Gravada no 30th Street Studios em Nova Iorque em 25 de junho, 1 de julho e 18 de agosto do mesmo ano, a obra é uma das gravações mais famosas do grupo, notória por sua melodia distinta, pelo solo de bateria de Joe Morello e pelo uso inusitado do compasso 5/4, de onde se origina o nome da composição... 
Depois da sua morte, em 1977, Desmond deixou os direitos da sua obra, incluindo "Take Five", à Cruz Vermelha Americana. (Wikipedia)
Das inúmeras versões, destaco a de Quincy Jones.

07/10/15

A mudança para uma sociedade de bem-estar

Não há democracia sem eleições livres mas devemos interrogar-nos para quê e para quem servem as eleições livres. Apenas para mudar ou continuar com os mesmos protagonistas políticos e ou mudar de políticas ou, ainda, para tudo isso, mas tendo em conta novas perspectivas da vida e do mundo, desde que elas respeitem os direitos do ser humano?
Em princípio, os cidadãos escolhem as propostas politicas que preferem para a sua vida na expectativa de que daí resultem melhorias para a sua vida, a vida dos cidadãos e dos países. 
Porém, isto não quer dizer, que muitas propostas não estejam completamente fora da realidade económica, social e psicológica das pessoas, que não haja propostas mais ou menos fossilizadas e tragam à memória alguns ditadores que fazem parte de períodos históricos de grande sofrimento para alguns países, que o espírito crítico ainda não foi capaz de desconstruir.
Podemos perguntar-nos até que ponto vai a cegueira ideológica, a negação da realidade, se depois de tudo o que se sabe hoje, não temos capacidade para ficarmos horrorizados com a história desses ditadores sejam da dita esquerda ou da dita direita.

Vota-se na continuidade ou na mudança. Num caso, a mudança pode ser a melhor opção, outras vezes a melhor opção é a continuidade.
Vivemos num tempo em que os antigos chavões deixaram de fazer sentido como, por exemplo, falar de crescimento sem se explicar que crescimento e para que o querem.
Na manhã de 5 de Outubro, depois das eleições do dia anterior, verificamos que a nossa vida vai continuar na mesma, independentemente de quem ganhou e quem perdeu... se bem que, em Portugal, todos ganhem sempre em todas as eleições.

A mudança é outra coisa e, se quisermos que haja mudança, têm que ser as pessoas a fazê-la. Ou seja, tendo ganho um partido ou outro, a pergunta a fazer é o que é que cada um de nós pode fazer por si próprio e pelo seu país.
Aquilo que está subjacente ao voto dos cidadãos é que da vontade colectiva possa vir mais bem-estar para as pessoas. Mas o que é o bem-estar ? Na realidade, o bem-estar pode ser definido por cinco elementos (Seligman):
Emoção positiva, da qual fazem parte a felicidade e a satisfação com a vida.
Envolvimento.
Significado, não apenas para si próprio as também para os outros.
Realização pessoal, êxito na vida.  
Relações positivas:  as outras pessoas são o melhor remédio para a pessoas poderem melhorar a sua vida. Sartre não tinha razão quando achava que o inferno eram os outros. 

Há uma diferença entre PIB (produto interno bruto) e bem-estar. O PIB é insuficiente para percebermos o que se passa na vida das pessoas. Se é verdade que até certo ponto quanto mais dinheiro mais satisfação com a vida também é verdade que, a partir da base de segurança dada pelo dinheiro, deixa de ser assim.
Não sendo o PIB o único indicador sério do estado de uma nação, esperemos que nas instituições democráticas, as políticas possam mudar no sentido de aumentar o bem-estar.

Como já se previa neste período pós-eleitoral seria crucial a capacidade de políticos inteligentes procurarem estabelecer compromissos nas respectivas instituições, designadamente no parlamento.
O bem-estar das pessoas não é de esquerda nem de direita. Será que para os eleitos o bem-estar vai ser o mais importante ? 

06/10/15

Escolas de pequena dimensão


É tempo dos "crescidos" resolveram o problema da liberdade de educação. Não deviam meter as crianças nisto, nem castigá-las devido a indecisões, más decisões, desorganização e incapacidade para resolver um problema bem simples: a criação de uma rede de escolas de pequena dimensão, que aqui temos vindo a pedir em nome das crianças. E não vamos desistir.

04/10/15

Escolas de pequena dimensão

Discordo do método e do timing, mas...
É necessário olhar para esta situação, a nível nacional. Os pais querem que os seus filhos frequentem a escola local. Neste processo, os mais frágeis são as crianças e os pais e é por isso que  devem ser ouvidos e apoiados. Esta é, aliás, uma posição progressista, ao contrário do que pensam os "engenheiros do parqueamento" dos alunos em escolas "desligadas" do que é essencial: a proximidade dos pais.


Daqui

"O nosso objectivo é que reabram a escola, mas também queremos que nos expliquem porque é que esta escola fechou e outras que tinham menos alunos continuam a funcionar", acrescentou Marta Sousa, mãe de duas crianças, uma das quais a frequentar o primeiro ano do ensino básico."

"Vestidos de preto em sinal de luto, e com folhas que colocaram no local em que pedem "igualdade", os manifestantes recordam argumentos antigos, designadamente o facto de as crianças serem obrigadas a andar de transportes diariamente para irem para a escola de acolhimento, que fica a cerca de cinco quilómetros."

"Garantem ainda que a decisão não se traduziu numa poupança, já que é necessário assegurar transportes e alimentação para as 17 crianças."

"Pequenos passos, grandes gestos"




02/10/15

O apelo da rua

Em 2011, o apelo da rua como a chamada "rua árabe". Em 2015, não há ruas... nem rumo, novo ou velho. 

...
Não podemos saudar democraticamente a chamada “rua árabe” e temer as nossas próprias ruas e praças. Até porque há muita gente aflita entre nós: os desempregados desamparados, a velhice digna ameaçada, os trabalhadores cada vez mais precários, a juventude sem perspectivas e empurrada para emigrar. Toda essa multidão de aflitos e de indignados espera uma alternativa inovadora que só a esquerda democrática pode oferecer.
...
SignatáriosMário Soares , Isabel Moreira , Joana Amaral Dias, José Medeiros Ferreira, Mário Ruivo, Pedro Adão e Silva,  Pedro Delgado Alves,  Vasco Vieira de Almeida, Vitor Ramalho.
Lisboa, 23 de Novembro de 2011

google - Síria - 1-10-2015




Marsmallow, austeridade e eleições

Como vimos, a experiência de vida, realizada numa perspectiva temporal global, se foi baseada na confiança, vai ser uma variável importante na resposta ao teste marshmallow. Com um ambiente confiável vale a pena esperar pela recompensa. Walter Mischel já tinha colocado o problema das crenças das crianças a quem foram prometidas recompensas mais tarde, serem realmente postas como uma importante determinante da escolha, mas as suas experiências posteriores não levaram tais factores em conta...
Um estudo de 2012, da Universidade de Rochester, em Nova York, realizado por Celeste Kidd *, principal autora do estudo, questionava a capacidade de autocontrole como um único marcador inato e se não haveria relação com um ambiente estável ou não.
Para testar essa hipótese os participantes (28 crianças de 3 a 5 anos) foram divididos em dois grupos, um exposto a um ambiente não confiável (promessas feitas pelos investigadores que não eram cumpridas depois) e o outro, a um ambiente confiável (tudo que era prometido era entregue mais tarde).
O grupo de teste confiável esperou por um tempo quatro vezes maior (12 min) que o não confiável para que o segundo marshmallow aparecesse.
As crianças do ambiente não confiável esperaram uma média de três minutos e dois segundos. Apenas uma das 14 crianças deste grupo esperou o tempo combinado, em comparação com as nove crianças do grupo da condição de confiança.
Para os autores, os resultados foram surpreendentes. Em estudos anteriores o tempo de espera médio das crianças foi entre 6,08 e 5,71 minutos.
A manipulação do ambiente duplicou o tempo de espera no estado de confiança e reduziu metade no caso do grupo de ambiente não confiável.
Os autores concluem que este grande efeito da manipulação do ambiente fornece fortes evidências de que o tempo de espera das crianças reflecte a decisão racional sobre a probabilidade de recompensa.

Mesmo crianças de tenra idade e com o conhecimento do mundo limitado, são capazes de adaptar a tomada de decisão de forma muito eficiente, buscando a máxima recompensa. Elas apenas precisam de receber provas de que a decisão de facto pode maximizar o resultado.
Diferentemente do que era pensado e da conclusão a que chegou o Walter Mischel, nos anos 60, as crianças não estão totalmente à mercê de seus impulsos. “Isso demonstra que o processo de tomada de decisão é muito mais adaptável e flexível que tínhamos imaginado”.
As crianças, mesmo as muito jovens, eram capazes de esperar, quando munidas de evidência de que a paciência valeria a pena. E quando foram fornecidas evidências contrárias, elas aproveitaram o momento e fizeram o melhor dessa situação. O comportamento que parece impulsivo pode ser, na verdade, resultado de um processo muito sensível de tomada de decisão. 
Como os adultos, as crianças usam experiências anteriores para formar suas decisões em situações novas. Então não é apenas a força de vontade, como na primeira experiência, que é o factor principal na decisão das crianças.

Como refere Filipe Nunes Vicente, vale a pena o esforço e vale a pena esperar. "O ódio à pequena burguesia". "Quem pagou estes anos foi essencialmente a classe média. A classe média foi sempre humilhada pela esquerda bem pensante: desde 1975 que é uma mole analfabruta e ígnara. Do gozo com a maison do emigrante ( agora têm muita pena deles) ao epíteto de mentalidade merceeira (entre dezenas de exemplos), este ódio esteve sempre bem presente na matriz da esquerda bem pensante.
Pois bem, o merceeiro, a rapariguinha do shopping, o emigrante, é que foram apertados, mas fazem umas contas simples. Durante estes anos penaram enquanto ouviram a esquerda bem pensante (e algumas aves de arribação) apregoar o caos e a inutilidade do seu esforço. Não gostaram e não querem ser, de novo, mulas de carga."

Num ambiente familiar confiável, é possível, entre pais e filhos, um diálogo mais eficaz e procrastinar um presente, uma recompensa não é tarefa difícil: "agora não te posso comprar o computador mas vamos ver se no Natal...". O mesmo não acontece com pais que não cumprem as promessas.
Um ambiente confiável é então fundamental para que um resultado seja aquilo que pretendemos.

Há, no entanto, ambientes políticos pouco confiáveis: aqueles que pedem dinheiro mas acham que "na realidade, as dívidas não são para ser pagas " (Sócrates), ou acham que "se alguém me emprestou dinheiro, esse alguém é que fica com o problema" (Carlos Carvalhas), ou, pura e simplesmente, ser caloteiro "não pagamos" e, finalmente, a solução do "rapaz da bomba atómica" que considera que a dívida pode ser usada como pressão sobre os credores que perante o "não pagamos" não têm outro remédio senão ficarem sem o dinheiro e só de ouvirem falar nisso ficam cheios de tremeliques.

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* Celeste Kidd , Holly Palmeri, Richard N. Aslin., " Rational snacking: Young children’s decision-making on the marshmallow task is moderated by beliefs about environmental reliability",  Cognition, pag.109-114

29/09/15

Marshmallow, austeridade e eleições



Talvez aqui!

No final dos anos 60 e início dos anos 70, foi realizada uma experiência famosa, em psicologia, conhecida como Experiência Marshmallow de Stanford, liderada pelo psicólogo Walter Mischel, da Universidade de Stanford. Pretendia-se saber como era a capacidade das crianças se controlarem e de resistirem às suas invejas. 
Resumidamente, a experiência consistia no seguinte: Era oferecido às crianças da experiência, com média de idades de 4 anos e meio, a escolha entre uma recompensa (normalmente um marshmallow) entregue imediatamente ou duas recompensas (dois marsmalows) se esperassem até que o investigador voltasse cerca de 15 minutos depois.
A verdade é que algumas crianças eram capazes de esperar esse tempo para receberem a segunda recompensa.
Em estudos de seguimento (follow-up) os investigadores descobriram que as crianças que foram capazes de esperar mais tempo pela possível recompensa apresentaram tendência de ter melhor êxito na vida: vistos pelos pais como adolescentes mais competentes, obtinham melhores resultados em testes padronizados, e tinham melhor tempo de reacção na realização das tarefas. *

Esta capacidade poderia vir da perspectiva temporal de cada um. As nossas decisões, juízos e comportamentos são fortemente afectados pela nossa maneira de ver o tempo. Esta perspectiva temporal seria construída num processo de representação, havendo uma origem social e cultural desta variável psicológica individual…
A perspectiva temporal passado, presente e futuro da criança que tem capacidade para esperar ou não define tipos de personalidade diferentes. **
Outras pesquisas (Zimbardo) mostraram também que o perfil temporal do indivíduo podia ajudar a fazer boas ou más escolhas na nossa vida.  Uma perspectiva baseada num passado positivo, um forte élan para o futuro e uma ligação para viver o presente, pode ser uma combinação vencedora na nossa vida.

Podemos dizer que na nossa vida colectiva se passa a mesma situação, quando os partidos fazem promessas que se traduzem por recompensas imediatas, as pessoas , dada a sua experiência do passado, não acreditam.
Algumas governações desastrosas e temerárias levaram os respectivos países a programas de resgate dolorosos para alguns sectores da população, principalmente para  a classe média.
Claro que muitos cidadãos perceberam e também ficaram com memória dessa situação. Uma cidadã  grega, numa entrevista de rua, era questionada pela jornalista sobre o que pensava do situação no seu país (novo resgate). A sua resposta foi mais ou menos a de que deviam fazer alguns sacrifícios durante algum tempo para, no futuro, a vida do dia a dia ficar mais equilibrada.
Em particular, em Portugal, as pessoas também perceberam isso: Uma perspectiva de futuro melhor. Basicamente, trata-se de fazer alguns sacrifícios agora para depois os nosso filhos e os nossos netos, como costumamos dizer, poderem ter uma vida melhor ou sem sobressaltos como actualmente.
A passividade que alguns atribuem aos portugueses, devia antes ser vista como a sua grande capacidade de espera em tempos melhores e de entender a vida como uma perspectiva temporal global. E, acima de tudo, significa a sabedoria das pessoas de que é sempre preferível ter  algum tempo de espera agora para poder ter, no futuro, um tempo melhor.
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* Foram também encontrados correlatos biológicos: Um estudo de imagens cerebrais de uma amostra de participantes da experiência original de Stanford, realizado quando eles alcançaram a meia idade mostrou diferenças fundamentais entre os que manifestaram alto ou baixo tempo de espera pela recompensa, em duas áreas: o córtex prefrontal (mais ativo nos grandes retardadores) e o striatum ventral (área relacionada a dependência de drogas) quando tentavam controlar suas respostas a sedutoras tentações.

**Morsa, Maxime, "Quelques choses à retenir du temps qui passe", le cercle psy, nº 15, Dec 2014, Jan/Fev 2015, pag. 84-87.