15/08/15

"A única mulher"


Maria de Lourdes Pintasilgo chefiou o V Governo Constitucional (01.08.1979 – 03.01.1980).

“Escolhi Maria de Lourdes Pintasilgo pela sua personalidade, ética e carácter”, diz Eanes ao Expresso. 

(23-8-2015)
Dei com esta entrevista de M. L. Pintasilgo a Anabela Mota Ribeiro:
"...No nosso país, apesar de tudo, há ainda uma força grande capaz de ir por novos caminhos. Mas tem que ser absolutamente por novos caminhos. Os caminhos velhos já são demasiado andados, demasiado pervertidos, demasiado cheios de sacos de plástico à direita e à esquerda, cheios de detritos que vamos deixando. São caminhos novos de que precisamos, em todos os aspectos..."
As campanhas dos sacos de plástico, da (dita) esquerda e da (dita) direita foram ultrapassadas pelas dos cartazes mentirosos, pela inanidade dos discursos. De resto, só caminhos velhos... e não perder a esperança.

08/08/15

Eu sou Francisco Sá Carneiro

Moldura oval bronze
Daqui

Espelho meu, haverá alguém mais sá-carneirista do que eu ?

Eu radical me confesso

Não brinquem com as pessoas, respeitem os números

Bumerangue australiano Fotos de Stock



“A história não é minha. Aquela afirmação é falsa”. É assim que Maria João resume a utilização da sua fotografia colada à frase “Estou desempregada desde 2012, para o governo não existo” num dos polémicos cartazes do PS, em declarações ao Observador. Maria João diz que não estava desempregada e que não disse o que está no outdoor.
Esta é mais uma estória infeliz de manipulação da imagem das pessoas para fins propagandísticos. Propositadamente, confunde-se a estória do desemprego e dos subsídios com a história pessoal de indivíduos que nada têm a ver com o assunto, ou seja, manipulam-se grosseiramente os eleitores . 
A manipulação continua a fazer o seu caminho. As campanhas eleitorais são tempo e terreno propício para os manipuladores, como já escrevi:  Manipulação digital dos espíritos, Manipulação, A fada má e o feiticeiro de Oz .
O fotojornalismo desde sempre usou a imagem como forma de manipulação dos espíritos:   These Altered Images Show Photojournalism at Its Worst, Manipulação: o fotojornalismo em questão, Novas formas de manipulação.
Não há vacina para esta mentira. A doença volta sempre, de forma mais virulenta, mas também com a perna mais curta. Os media têm este efeito de bumerangue.

03/08/15

" A pessoa está acima do Estado"


Completam-se, a 2 de Setembro, 70 anos do fim da II guerra mundial.  Konrad Adenaeur, deixou nas suas memórias aquilo que considerou um exame de consciência sobre como foi possível ela ter acontecido. A responsabilidade não é apenas dos políticos mas de cada cidadão,  da mentalidade de um povo que acredita na omnipotência do Estado ao qual tudo sacrifica porque, como refere Adenauer, "a pessoa está acima do Estado". Os sublinhados são da minha responsabilidade.

"... Como pôde o povo alemão aceitar esse Estado nacional-socialista? Como pôde o Governo nacional-socialista começar essa guerra, uma guerra irremediavelmente perdida apesar dos sucessos iniciais?
Como aconteceram milagres de valor e fidelidade ao dever por parte de um povo quando, ao lado, o mesmo povo era alvo dos crimes mais hediondos? Como foi possível prosseguir até ao aniquilamento uma guerra cuja derrota estava anunciada? Como foi possível o povo alemão sujeitar-se a tamanha humilhação?
Envergonhei-me muitas vezes, na época nacional-socialista, de ser alemão e às vezes a vergonha atingiu o fundo do meu coração; cheguei a saber pelo cônsul da Suiça, VonWeiss, das infâmias cometidas por alemães contra alemães e dos crimes planeados contra a Humanidade.
Mas agora, depois da capitulação, ao ver como o povo alemão - mergulhado na fome, frio, miséria e morte, sem esperança e futuro, em completa inferioridade política, desconsiderado por todos os povos da terra - suportava esse destino de forma paciente, parecendo mais forte que toda a miséria, senti-me, de novo, orgulhoso de ser alemão.
Estava orgulhoso do valor com que o povo alemão suportava o seu destino, orgulhoso de como todos, e cada um, suportavam e não desesperavam, como evitavam e fugiam da miséria, aspirando a um futuro melhor.
Deixei que a Historia alemã dos últimos cem anos passasse diante de mim, e interroguei-me como fora possível este percurso. Era uma pergunta que todos deviam colocar a si próprios.
Se queríamos sair da miséria, desse abismo, se queríamos encontrar o caminho certo da recuperação, devíamos reconhecer, primeiro, como nos tinham levado a esse abismo.
Só era possível encontrar o  caminho certo, sabendo como chegáramos a esse sinistro período da Historia do povo alemão. Só um exame de consciência poderia levar ao ressurgimento.
...
Interrogava-me sobre os graves motivos que, fazendo-nos vacilar de um lado ao outro, nos tinham lançado do alto até o abismo. Os pormenores não têm importância nessa reflexão, mas havia que procurar, a fundo, os motivos que causaram a catástrofe.
Em minha opinião, eles vêm de trás, remontam ao período anterior a 1933. O nacional-socialismo levou-nos directamente a  catástrofe, mas não teria sido tão mau se não tivesse encontrado, na população, o terreno favorável a sua semente de veneno. Tomou as máximas proporções "em largos extractos da população”. Não é justo culpar apenas as chefias militares ou os grandes industriais. É certo que estes têm grande parte da culpa, e a sua culpa pessoal foi tanto maior quanto o seu poder e influência. Mas as grandes classes populares, os agricultores, a classe media, os trabalhadores, os intelectuais, não assumiam uma postura mental sincera. Caso contrario, não teria sido possível o triunfo do nacional-socialismo no ano de 1930.
O povo alemão sofria há muitos anos, em todas as classes sociais, de uma falsa opinião do Estado, do poder, da situação do indivíduo perante o Estado. Tinha feito deste um ídolo e tinha-o levado ao altar: tinha sacrificado a este ídolo o indivíduo, a sua dignidade e valor.
Esta convicção da omnipotência do Estado, da sua primazia, da sua concentração de poder sobre tudo o resto, incluindo os eternos valores da Humanidade, atingiu o seu auge depois da gloriosa guerra de 1870-71 e do forte crescimento económico da Alemanha.
...
O rápido desenvolvimento da industrialização, a concentração das grandes massas de população nas cidades e o desenraizamento que ela provoca deixaram o caminho livre para o devastador contágio do conceito materialista no povo alemão. Este conceito levou necessariamente a uma sobrevalorização do poder, a custa da diminuição dos Valores éticos e da dignidade do individuo.
O nacional-socialismo não foi senão uma consequência, levada até ao crime, daquele conceito materialista do mundo que acaba na adoração do poder e no desprezo pelo valor do individuo.
A um povo preparado mental e espiritualmente para um conceito materialista, obediente a um Estado todo poderoso,era relativamente fácil, a mínima dificuldade material que surgisse, impor uma doutrina segundo a qual a própria raça é a raça soberana e o próprio povo é o povo soberano; os restantes povos são fracos, e em parte dignos de serem exterminados; mas também dentro da própria raga e do próprio povo deve ser eliminado, por qualquer preço, o adversário politico.
Esta opinião sobre o poder, sobre a omnipotência do Estado e sua primazia face à dignidade e liberdade da pessoa, é contrária a lei natural. A pessoa está acima do Estado. Na sua dignidade, liberdade e independência, encontra o poder do Estado o seu limite e orientação. Mas a liberdade pessoal não é ilimitada e arbitraria. Obriga qualquer pessoa, quando faz uso  da mesma,a pensar sempre na responsabilidade que tem para com o próximo e para como povo.
Penso que o Estado deve assumir uma função de serviço perante o individuo. O conceito materialista do Mundo transforma o homem em algo impessoal, numa pequena peça de uma monstruosa máquina.
Este concerto do Mundo é pernicioso. Perante a dispersa, desordenada e amorfa massa em que se tornara o nosso povo depois da guerra, era necessário dar uma palavra a cada indivíduo, conduzi-lo à tranquilidade e ao sentido de responsabilidade. Até que ponto se poderia adoptar este procedimento, era a pergunta  que me parecia fundamental para o destino do nosso povo.
Estava convencido que empreendendo esta tarefa com convicção e realizando-a com habilidade e entrega recuperaríamos pessoas que, pela sua firmeza de carácter e segurança de juízo, podiam ser preparadas e motivadas para a condução política, moral e intelectual."

A II Guerra Mundial - 50 Anos Depois, Diário de Notícias

02/08/15

Liberdade e dignidade

"A liberdade é o fundamento da dignidade humana. Perante alguém livre, impõe-se o respeito (de respicere: ver e ser visto no mútuo reconhecimento). Cá está: o ser humano não é coisa, não é meio; por isso, não tem preço. Embora a liberdade humana seja finita e sempre em situação, a pessoa pertence ao reino dos fins. Immanuel Kant viu isso bem: as coisas têm um preço, porque são meios; o homem não é meio, mas fim e, por isso, tem dignidade. A dignidade co-implica direitos fundamentais, que se impõe reconhecer. As constituições democráticas reconhecem direitos fundamentais, inalienáveis, não os concedem." Anselmo Borges, Liberdade e Dignidade, DN,1-8-2015

26/07/15

"Policentrar o sistema social"



O Presidente da República, Cavaco Silva, veio relevar a importância da descentralização: "... Portugal precisa de "avançar na descentralização" de competências do Governo para as autarquias na área da educação, considerando que, nesta matéria, o país "está aquém dos países mais desenvolvidos".
... reconheceu que o país já deu "alguns passos na descentralização" de competências, "mas deve dar muitos mais".
"Em Portugal, ainda existem algumas resistências na descentralização na área escolar. São interesses corporativos e pessoais que nada têm a ver com os superiores interesses do país".

Para David Justino (educare .pt): "O nível de autonomia das escolas tem de ser entendido no quadro de uma política de descentralização do sistema de ensino. Até ao presente, o conceito de autonomia das escolas não passa de um chavão sem que se traduza numa real alteração da partilha de responsabilidades entre o MEC e as escolas. Em primeiro lugar porque em situação de crise financeira os serviços centrais tendem a reforçar o seu poder de regulação. Em segundo, porque entendo não poder existir autonomia sem uma cultura escolar que mobilize os recursos disponíveis, que reforce a capacidade de iniciativa e que leve as escolas a ter maior poder quer na gestão do currículo quer na do seu pessoal docente. A atual situação deixa uma margem de atuação muito reduzida. Tudo é excessivamente controlado pelos serviços centrais, desde a gestão do curriculum até aos horários, dimensão das turmas, colocação e fixação de professores. Julgo que há muito a fazer neste domínio da descentralização de competências, mas também entendo que não se pode concretizar de um momento para o outro. Este é um dos desafios que teria de ser respondido por políticas de médio e longo prazo, com objetivos estratégicos muito bem definidos."

Também no "presente trabalho, começamos por olhar para a história da escola pública, para percebermos que ela tem sido, como em tantos outros campos da nossa Administração Pública, uma história de centralismo. Um centralismo que, no caso das escolas, não terminou, mesmo quando se tornou consensual no discurso a defesa da sua autonomia."

O que tem acontecido, na realidade, é pouco e o CNE recomenda algumas medidas.

A questão da descentralização e autonomia das escolas tem servido para "grandes debates",  para os que enchem a boca com a descentralização, prometem descentralização nas campanhas eleitorais, ou, por tacticismo, ficam calados.
Vai-se a ver, quando surge a oportunidade de descentralizar alguns serviços e instituições, fazem campanhas contra a descentralização.

Foi mais uma oportunidade perdida comandada pelos sindicatos dos professores e por aqueles que, de certeza, a vão defender na próxima legislatura, se forem governo, embora pensem em estruturas regionalizadas, igualmente centralizadas, tipo CCR, e a gente entende porquê: vai haver muitos lugares para amigos e conhecidos. E lá aparece o engodo da regionalização, ou seja, criar mais estruturas intermédias, burocratizar, complicar, manter o poder de decisão tão longe como agora acontece e em que não se percebe que diferença poderia haver entre o centralismo de Lisboa  e os hipotéticos centralismos de Coimbra ou Porto.
Não esquecemos de que foi rejeitada, em referendo, pelo povo português, e, por isso, não adianta dourar a pílula com uma descentralização que é “uma espécie de regionalização”.
Pelo contrário, a descentralização é trazer o poder para junto das pessoas, é decidir localmente o que interessa às pessoas, não precisa de criação de estruturas,  pode contribuir para reduzir, por pouco que seja,  a desertificação humana de alguns municípios.

A descentralização proposta pelo Ministério da Educação era sobretudo a passagem de competências para as câmaras municipais, estruturas próximas dos cidadãos.  Não significa que não haja problemas

Manifestações e reuniões entre os professores para se decidir se queriam ou não a municipalização dessas competências escolares como aqui, levaram ao resultado que já se adivinhava: venceram os professores do chavão e também os estatistas e centralistas, embora destes últimos nada de diferente havia a esperar.
Mas o caminho vai-se fazendo:
- 34 municípios vão receber competências nas áreas da educação, saúde e cultura a partir de Setembro.
- 15 municípios, na área da educação, vão ter delegação de competências.

Obviamente, que é necessário que a regulação tenha um papel cada vez maior a nível dos vários sectores descentralizados porque, como sempre, os  chico-espertos estão à espreita e existem em toda a parte.

Há tanto tempo que M L Pintasilgo escreveu sobre a necessidade de “policentrar o sistema social”!

23/07/15

Fundadores



Há mais de meio século, estes líderes inspiraram a criação da União Europeia.
Apesar de, nestes dias de todas as (des)informações, ser politicamente correcto dizer mal da Europa, é necessário afirmar que os principais objectivos dos fundadores foram conseguidos: a paz, a estabilidade e a prosperidade, ainda que  com alguns percalços pelo caminho.
Sem o percurso feito, até agora, pela União Europeia, estaríamos melhor ou pior? Teríamos aprofundado a solidariedade, teríamos construído politicamente os Estados Unidos da Europa, teríamos instituições menos burocratizadas, teríamos políticos, deputados, comissários europeus menos vaidosos e menos gastadores ? Teríamos menos interesses nacionais sobreporem-se aos comunitários ? Teríamos reduzido a corrupção a zero ?
Provavelmente, estaríamos ainda mais longe desses objectivos, mas esses obstáculos também significam que há um longo e difícil caminho a construir.

K. Adenauer, escrevia nas suas memórias: " A democracia não termina num regime parlamentar; tem que estar apoiada, sobretudo, na consciência do indivíduo.
Os meses que se seguiram a Janeiro de 1933 ensinaram-nos que um regime parlamentar pode ser utilizado até para impor uma ditadura, quando as pessoas não pensam ou sentem a verdadeira democracia.
Democracia é um conceito universal que tem as raízes na dignidade, no valor e nos irrevogáveis direitos do indivíduo. Quem, de verdade, pensa democraticamente, deve sentir respeito pelo outro, pelos seus elementares desejos e aspirações."

Por mais parlamentares que sejam, por mais referendos, ou eleições que se façam, por mais gravatas que ponham ou que tirem, champanhe que bebam, dias de luxo que tenham, se a consciência dos indivíduos for corrupta, sem dignidade e sem valores, não haverá democracia que lhes valha sejam da esquerda, centro ou direita.

22/07/15

Hoje apetece-me ouvir

E ver...



Louis Prima - Sing, Sing, Sing - 1936

"Sing, Sing, Sing" escrita por Louis Prima tornou-se um dos hits da época das Big bands e da Swing Era. A música é comummente associada a Benny Goodman, apesar de ser de Louis Prima.

Em "Swing Kids" ("Os últimos rebeldes") a música norte-americana é oficialmente proibida de ser tocada mas um grupo de simpatizantes une-se para praticar a dança...